O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira

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Generalidades
Os exércitos para resolverem necessidades em combate usaram, desde sempre, determinados sinais. O aparecimento do elmo fechado, que ocultava o rosto dos combatentes, obrigou ao uso de sinais de reconhecimento em que se salientaram as bandeiras. Servia para assinalar no campo de batalha os exércitos, respectivos chefes, identificar e localizar as unidades, transmitir ordens e dar coragem aos combatentes.
Para isso utilizava-se uma “bandeira”, pano de certas cores, desenhos e formas, presa a uma haste e elevada quando necessário. Assim se entende a importância de quem tinha a responsabilidade de utilizar e defender a bandeira. Era designado por alferes, do árabe alferis (cavaleiro ágil e destemido).
A bandeira quando apresenta as cores e o escudo de armas nacional representa a Nação, isto é, todos nós. É merecedora do maior respeito pois lembra o passado colectivo. A Bandeira Nacional, motivo de orgulho para todos, é indispensável no estímulo ao amor pelas coisas nacionais. É perante ela que os militares prestam o seu juramento solene, de fidelidade, em cerimónia pública designada por Juramento de Bandeira. Juram defendê-la com o sacrifício da própria vida. Arriar ou abater bandeira significa rendição. É sinónimo de desistência, derrota e aceitação da vontade do antagonista. Recordamos que na batalha Real ou de Aljubarrota, após as primeiras forças do exército de Castela terem penetrado no dispositivo português, ao serem dizimadas, a bandeira castelhana foi derrubada. Esta queda provocou enorme confusão entre os atacantes, levando-os a fugir de forma desordenada, o que terá facilitado a vitória das forças de D. João I de Portugal. A Bandeira Os exércitos para resolverem necessidades em combate usaram, desde sempre, determinados sinais. O aparecimento do elmo fechado, que ocultava o rosto dos combatentes, obrigou ao uso de sinais de reconhecimento em que se salientaram as bandeiras. Servia para assinalar no campo de batalha os exércitos, respectivos chefes, identificar e localizar as unidades, transmitir ordens e dar coragem aos combatentes. Para isso utilizava-se uma “bandeira”, pano de certas cores, desenhos e formas, presa a uma haste e elevada quando necessário. Assim se entende a importância de quem tinha a responsabilidade de utilizar e defender a bandeira. Era designado por alferes, do árabe alferis (cavaleiro ágil e destemido). A bandeira quando apresenta as cores e o escudo de armas nacional representa a Nação, isto é, todos nós. É merecedora do maior respeito pois lembra o passado colectivo.
A Bandeira Nacional, motivo de orgulho para todos, é indispensável no estímulo ao amor pelas coisas nacionais. É perante ela que os militares prestam o seu juramento solene, de fidelidade, em cerimónia pública designada por Juramento de Bandeira. Juram defendê-la com o sacrifício da própria vida. Arriar ou abater bandeira significa rendição. É sinónimo de desistência, derrota e aceitação da vontade do antagonista.
Recordamos que na batalha Real ou de Aljubarrota, após as primeiras forças do exército de Castela terem penetrado no dispositivo português, ao serem dizimadas, a bandeira castelhana foi derrubada. Esta queda provocou enorme confusão entre os atacantes, levando-os a fugir de forma desordenada, o que terá facilitado a vitória das forças de D. João I de Portugal.

A bandeira
Na Idade Média o fervor religioso era particularmente forte. Amparava o homem nas empresas mais difíceis, que em alturas de perigo tinha necessidade de se sentir protegido por Deus e Santos Protectores.
D. Nuno, em manifestação de fé, como pedido de ajuda para si e companheiros, para terem comportamento corajoso na luta, mandou fazer uma bandeira, que quando desfraldada mostrava a figura do Salvador e de sua Santa Mãe.
Tinha grande significado, invocando com ela protecção espiritual para todos e incentivo para alcançar vitória, nas pelejas que fossem obrigados a travar. Enchia de ânimo e coragem o coração dos combatentes que sentiam ter protecção Divina, de Santa Maria, de S. Jorge e de Santiago.
A bandeira de D. Nuno era branca, simbolizando pureza. Tinha ao meio uma grande cruz da cor do sangue do Redentor, que a dividia em quatro partes iguais:
• Na metade de cima, do lado da haste, apresentava a imagem de Jesus Cristo crucificado, de sua Santa Mãe Nossa Senhora, símbolo de virtude e intercessora entre Jesus Cristo e a sua Igreja, que rezava ajoelhada a seus pés. Estava acompanhada por S. João que recordava a evangelização dos povos;
• Na mesma metade superior, distante da haste, estava representada a imagem da Virgem com o Menino Jesus ao colo, lembrando o amor maternal e a protecção particular das mães a seus filhos;
• Na metade inferior, junto à haste, S. Jorge orava de joelhos e mãos postas, com o bacinete pousado a seu lado. Era considerado o “padroeiro” (protector) de Portugal desde D. Afonso Henriques;
• Na mesma metade, distante da haste, Santiago Maior, protector de toda a Espanha rezava de joelhos e mãos postas, junto ao seu bacinete. D. Nuno tinha-lhe grande afeição.
Alguns estudiosos são de opinião que estando S. Jorge e Santiago voltados um para o outro, em postura de diálogo, pretende significar que D. Nuno teria gostado de resolver as “diferenças de opinião” pela via do diálogo e que só tomava a via do confronto quando a isso era obrigado.
A bandeira de D. Nuno apresenta a cada canto o escudo de armas dos Pereiras, composto por uma cruz branca, aberta pela metade, em campo vermelho.



"Foi o homem necessário no momento certo. Reuniu e empregou, com acerto, escassos meios e vontades disponíveis, por vezes contra a opinião geral, e com eles realizou obra quefirmou a nacionalidade".

O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira
O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira

Evocar Aljubarrota é recordar, embora telegraficamente, a personalidade e a vida de D. Nuno Álvares Pereira.
Filho de Álvaro Gonçalves Pereira, prior da ordem militar dos Hospitalários, nasceu no Alentejo, talvez em Flor da Rosa, arredores do Grato, a 24 de Junho de 1360. Conviveu com o pai até aos treze anos, de quem ouviu narração de guerras passadas, em especial a que na altura opunha a França à Inglaterra.
Muito jovem aprendeu as artes da guerra e a observar com atenção a luta que opunha a tradicional cavalaria feudal à renovada peonagem. Obediente à vontade do pai, frequentou a corte como escudeiro da Rainha, onde recebeu educação de acordo com o seu estatuto.
Voluntarioso, idealista, de inteligência viva e vincada personalidade, viveu a juventude em ambiente que auxiliou uma formação de marcado pendor misticista, própria da época. O modo de ser e sentir, caracterizado por forte exaltação cavalheiresca e religiosa, era contido por invulgar pondera­ ção e elevada exigência moral.
O compromisso patriótico de D. Nuno foi desencadeado pela morte de D. Fernando, em Outubro de 1383, em período de enorme instabilidade social e forte crise de nacionalidade que confirmava a necessidade urgente de reconquistar a independência.
Considerar D. Nuno possuidor de poderes sobrenaturais, é opinião apressada e simplista do seu comportamento exemplar, orientado por vontade forte ao serviço de um ideal superior.
É preciso situar o herói em tempo medieval e condições humanas normais.
A qualidade da sua atitude resultou de prática diária que sem hesitação o orientou ao longo da vida. Começou por ser rapaz enérgico e corajoso com invulgar talento guerreiro.
Místico e generoso tomou a responsabilidade de comandar pelo exemplo, empolgando e conduzindo os companheiros à vitória pelo entusiasmo e determinação. Pouco depois vieram a ponderação, a clareza de propósitos, a prática da disciplina e a inteligência das decisões que o guiaram nas acções que praticou. Foi o homem necessário no momento certo. Reuniu e empregou com acerto, escassos meios e vontades disponíveis, por vezes contra a opinião geral, e com eles realizou obra que firmou a nacionalidade. Após a aclamação de D. João I em Coimbra, foi nomeado fronteiro (defensor da fronteira) do Alentejo, dando início à pesada tarefa de realizar a independência do reino.
A 6 de Abril de 1384, a meia légua de Fronteira, em Atoleiros, travou luta contra força superior composta por muitas das melhores lanças de Castela. Perante a evidente superioridade do inimigo deu provas de invulgar senso no modo como se adaptou às circunstâncias e resolveu as dificuldades a seu favor. Mandou a hoste apear, formar em quadrado e defender com as lanças, cravadas no chão, inclinadas para fora.
Dentro do dispositivo ficaram os besteiros e peões para lançar virotes, setas e pedras sobre o atacante. D. Nuno montado numa mula, fora do quadrado, face ao invasor, seguro e tranquilo da força da sua razão fez as últimas recomendações. Com o inimigo à vista, apeou, ajoelhou e solicitou protec­ ção divina. Finda a oração, beijou a terra, levantou-se, montou, armou­ -se de lança e pediu em voz alta “Amigos, que ninguém duvide de mim…”
Ouviram-se brados de guerra. Portugal S. Jorge! Castela Santiago! Os grandes de Castela, confiantes e bem armados, lançaram sem demora os cavalos sobre a pequena mas corajosa força que se opunha à sua vontade. Pesados, devido às armaduras, começaram a ser dizimados por projécteis certeiros que do interior do quadrado os iam atingindo. Poucos conseguiram chegar às lanças onde se espetaram.

A Capela de São Nuno

Em consonância com a canonização de São Nuno de Santa Maria, a SHIP fez inaugurar no Palacio da Independencia, em Maio do corrente ano, no dia do seu 149.º aniversario, uma capela votiva ao culto desta relevantísima figura do nosso historial de afirmação da independencia nacional, venerada e invocada amplamente aquém e alem­ -fronteiras.Fruto de múltiplas doações, de particulares e de paroquias, merece especial menção a parceria estabelecida com o Guião – Centro de Estudos Portugueses, cuja accáo foi muito importante para a instalação desta capela, a ptimeira que foi aberta em Portugal desde a aguardada e muito bem recebida decisão do Papa Bento XVI.

O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira
O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira

E os portugueses triunfaram.
A batalha de Atoleiros foi decisiva na consolidação da independência. Foi brado irreprimível que ecoou na Europa medieval anunciando que Portugal teria de ser respeitado. Foi marco que iniciou a identidade de Portugal como povo, nação e reino, significativo pela liderança de D. Nuno que provou ser merecedor da confiança de seus companheiros. O tratado de Salvaterra continuava a justificar as pretensões de Castela, que invadiu Portugal pelas Beiras com um exército numeroso e fortemente armado. O conselho real de D. João I, chamado com urgência a Abrantes, perante a esmagadora superioridade do invasor, entendeu prudente adiar a luta.
D. Nuno, contrário à opinião geral, recordou a promessa real de defender a capital do Reino e salientou a necessidade urgente de atalhar o passo ao invasor. As forças portuguesas, reunidas em Tomar, passaram por Ourém, com destino a Porto de Mós. A 13 de Agosto de 1385, após reconhecimento do terreno para os lados de Leiria, foi escolhido o local onde iam travar luta. Na madrugada seguinte ocuparam o esporão setentrional do planalto de Aljubarrota. O dispositivo português, virado a norte, aproveitava bem o terreno, dificultando o ataque castelhano, mais difícil por o Sol estar de frente para o atacante. O Rei de Castela ao sentir a dificuldade no ataque evita o confronto e rodeia a posição pelo lado do mar, na procura de terreno favorável ao seu propósito.
D. Nuno, atento, antecipa-se. Em decisão oportuna mas arriscada, pela proximidade do inimigo e tacanhez do terreno, inverte o dispositivo e vai instalar-se dois quiló­ metros a sul. Esta atitude demonstra enorme coragem física e moral, elevada capacidade de comando, invulgar disciplina e superior conhecimento táctico. Chegados a S. Jorge começaram logo a construir abatizes, covas de lobo e fossos, para complementar as dificuldades naturais das ribeiras de Madeiros e da Mata que, correndo de sul para norte, limitavam o terreno de confronto a poente e nascente, permitindo aos portugueses a concentração de mais forças na frente do atacante. O embate, brutal e rápido, deu-se ao entardecer e durou cerca de uma hora.
O exército castelhano, vencido, retirou em debandada deixando o terreno juncado de corpos e despojos.Foi o triunfo da inteligência e da vontade sobre o orgulho preconceituoso.
A diferença do saber da decisão pensada sobre a ignorância e a razão da força.
Aljubarrota foi decisiva. Acabou com os desejos expansionistas de Castela e teve efeitos importantes que ao longo dos séculos se tornaram referência.
A independência de Portugal parecia consolidada. As batalhas, em que se inclui a de Trancoso (1-8 de Junho de 1385), haviam terminado.
Contudo na fronteira sul entre Portugal e Castela, continuavam os confrontos armados. D. Nuno, desejoso de anular as forças estacionadas na área, reuniu meios em Estremoz e invadiu Castela, para lá de Mértola, conquistando terras e troféus.

O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira
O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira

Os castelhanos receosos e vigilantes seguiam-no de longe, procurando reunir forças, que chegaram a ser muito superiores.
D. Nuno, apercebendo-se deste temor, aproveitou as vantagens do terreno e procurou o confronto. Voltava a ser o táctico atento, de actuação enérgica e oportuna. Após reza solitária deu início à batalha de Valverde, em Agosto de 1385, que se prolongou por dois dias “de sol a sol em pelejar, com grandes e boas escaramuças, e assaz de feridos e mortos”. Começou por atacar o oponente principal, D. Pedro Muñoz, mestre de Santiago, seguro que a sua derrota provocaria debandada geral do inimigo.
Os cavaleiros castelhanos, imitando D. Nuno, apearam para combater a pé, mas pesadamente equipados e pouco habituados a lutar deste modo, apesar de comportamento valoroso, foram derrotados. Morto o mestre de Santiago e os seus melhores companheiros deu-se a fuga do resto da hoste de Castela. D. Nuno mais uma vez ficou vencedor no campo de batalha.
Consolidada a independência foi assinada a paz com Castela a 31 de Outubro de 1411. Anos depois, em 1415, o Condestável pediu autorização real para participar na conquista de Ceuta. Foi o último serviço a Portugal como guerreiro. Sentindo terminada a tarefa perante os homens, decide iniciar outra ao serviço de Deus.
Guerreiro e monge completam-se no mesmo ideal de Servir. D. Nuno, no decurso das pelejas e ainda mais depois da guerra acabar, estabelecia uma relação íntima entre o futuro de Portugal e o sucesso no Céu. Cada batalha tinha o seu voto, ficando os feitos perpetuados em pedra, dispersos pelo reino. A imaginação da juventude gerara enorme devoção à Virgem. O heroísmo era penitência e humildade e a devoção ardente e activa.
No Alentejo, coração da “sua” fronteira e teatro de feitos valorosos, mandou erguer templos votivos em agradecimento pelo resultado das lutas travadas.

"O embate, brutal e rápido, deu-se ao entardecer e durou cerca de uma hora. O exército castelhano, vencido, retirou em debandada deixando o terrenojuncado de corpos e despojos. Foi o triunfo da inteligência e da vontade sobre o orgulho preconceituoso".

D. Nuno, no dia imediato à batalha de Atoleiros, foi descalço em romagem a Santa Maria do Assuma, distante de Monforte duas léguas. A igreja estava profanada pelas montadas dos castelhanos pelo que humildemente ajudou a limpar e fez voto de construir um templo que mais tarde ali levantou.
Em Estremoz concluiu outro a Nossa Senhora dos Mártires, começado por D. Fernando.Em Vila Viçosa levantou capela a Nossa Senhora da Conceição.
Em Sousel, Portei, Monsarás, Mourão, Évora e Camarate, junto a Lisboa, mandou construir outros templos à Virgem Maria.
Em S. Jorge, onde tinha içado a bandeira durante a batalha Real mandou edificar uma ermida dedicada a Nossa Senhora da Vitória.
Em Lisboa fez construir grandiosa catedral, dedicada à Virgem do Carmo, em agradecimento pela vitória alcançada em Valverde.

Monge
D. Nuno com sessenta e três anos, a 15 de Agosto de 1423, decidiu professar.
Ao ser admitido no convento do Carmo repartiu tudo o que tinha e perdoou as dívidas, ficando sem nada. Trocou a seda pelo burel (pano grosseiro de lã) e recolheu ao isolamento da cela. No convento praticou vida simples e austera, ao serviço dos outros. Descalço, de hábito carmelita donato, túnica talar (até aos calcanhares) com escapulário (parte do vestuário monástico que cai sobre as espáduas e peito) e samarra de estamenha, esmolou sete anos pelas ruas, para os pobres da capital do Reino.
No Dia de Todos os Santos de 1431, perante a família real em pranto entregou a alma ao Criador. Logo que os sinos tocaram a finados enorme multidão acorreu chorando e gritando que havia morrido um Santo.
O Papa Bento XV, a 23 de Janeiro de 1918, ao promulgar o decreto de Beatificação “Clementíssimos Deos” deu aprova­ ção formal ao culto a Beato Nuno de Santa Maria.
O Senhor Cardeal Patriarca de Lisboa, a 13 de Junho de 2003, presidiu à sessão solene realizada no convento do Carmo, da reabertura do processo de canonização do Beato Nuno de Santa Maria e a 3 de Abril do mesmo ano, a outra cerimónia realizada na igreja do Santo Condestável, em Lisboa, sendo o processo de canonização encerrado e enviado à Santa Sé.
A realização deste desejo constituía acto de justiça e reconhecimento com enormes benefícios morais para Portugal e para os povos com quem partilhou vivências ao longo de uma existência multissecular.

O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira
O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira

“Muito conhecido e venerado em Portugal, é também invocado além-fronteiras.”

O Culto Universal ao Beato Nuno de Santa Maria

São Nuno de Santa Maria (desenho de Victor Portugal Valente dos Santos)
São Nuno de Santa Maria (desenho de Victor Portugal Valente dos Santos)

“Consolidada a independência foi assinada a paz com Castela a 31 de Outubro de 1411. Anos depois, em 1415, o Condestável pediu autorização real para participar na conquista de Ceuta. Foi o último serviço a Portugal como guerreiro. Sentindo terminada a tarefa perante os homens, decide iniciar outra ao serviço de Deus”.

O Beato Nuno de Santa Maria, agora Santo, é sinónimo de humanidade, humildade, verdade, fraternidade edignidade. O seu exemplo representa a vitória do Bem sobre o Mal. É referência universal que terá levado o Papa Bento XV a declarar que servia de modelo aos militares que combatiam na I Guerra Mundial.
D. Duarte, sete anos após a morte de D. Nuno, em 1431, solicitou ao Papa a canonização do Condestável evocando o exemplo de bondade e devoção aos pobres. A fama de milagreiro do Santo Condestável era grande conforme as “Chronicas dos Carmelitas” que referem terem-lhe sido atribuídas 21 curas de cegueira, 21 de surdez, 24 de paralisia e 18 de doenças internas.
Uma cura actual, alegadamente milagrosa, de uma vista queimada com azeite a ferver, era a peça que faltava para a conclusão da canonização do Beato Nuno de Santa Maria. Muito conhecido e venerado em Portugal, é também invocado além-fronteiras, como resumidamente se refere:
• No reinado de Isabel “a católica” teve início em Espanha oculto a São Frei Nuno de Santa Maria, sendo fre quente a suainvocação nas missas celebradas na corte;
• No reinado de Joana “a louca”, em 1512, primeira Rainhada Espanha unificada, a devoção a Beato Nuno tornou-se mais forte. Esta Rainha veio a Lisboa, em peregrinação ao convento do Carmo, para trasladar os restosmortais de D. Nuno para um mausoléu de alabastro quetinha mandado esculpir em Florença;
• No séc. XX São Escrivã de Balaguer afirmou em sermão”abençoado seja D. Nuno de Santa Maria e a batalha deAljubarrota que deu à Virgem dois braços, Portugal eEspanha, com os quais abraçou e evangelizou o mundo”;
• Em Portugal e Espanha o Beato Nuno foi imortalizadoem arte acontecendo o mesmo em Itália, Holanda eAlemanha, em quadros, registos e santinhos que sãoprova documental da dimensão europeia da devoção aD. Nuno;
• O culto ao Beato Nuno surgiu na Itália em meados do séc. XV conforme o Calendário Carmelitano, composto entre 1456 e 1478, da biblioteca de Parma. As igrejas de Santa Inês e de Nossa Senhora do Carmo também apresentam provas do culto ao mesmo beato em Itália, como testemunha o óleo “La vestizione del Beato Nónio Álvares Pereira, notabilede Portogallo” do mestre Cresti Dominico IL Passignamo;
• O culto a Beato Nuno também era praticado na Corte Papal conforme atesta o pedido de protecção do Papa Eugénio IV a D. Nuno quando se viu ameaçado por forças inimigas;
• O culto a Beato Nuno esteve presente em devoções emissas celebradas na igreja de Santo António dos portugueses em Roma que conserva o seu quadro na sacristía;
• D. Nuno é invocado em Espanha, Itália e Alemanha comopatrono da Arquiconfraria dos apóstolos São Pedro e SãoPaulo de Casale Monteferrato, sendo relembrado todosos anos em missa votiva;
• Secularmente é invocado no missal da Ordem de Maltacomo protector da Ordem a que pertenceu em vida. É patrono da Irmandade de São Gerardo e da Ordem de SãoMiguel da Ala de que era membro;
• D. Nuno e São Patrício são invocados pelos católicosirlandeses como Protectores da independência nacionalda Irlanda;
• O “Diário da jornada ao Concílio de Basileia”, de 1435,refere que, quatro anos após ter morrido, o Beato Nuno tinha fama de santidade e era motivo de culto em Espanha, França e Alemanha. O mesmo acontecia em Sabóia, Génova, Piemonte e Flandres;
• Em países de língua inglesa Beato Nuno é recordadocomo responsável pela devoção ao escapulário mais pequeno da Ordem Terceira Carmelitana tendo sido criadoo “Holy Constable Nuno”, extinto pela reforma anglicana;
• Em Inglaterra um regimento pessoal da Rainha, dedicadopor Carlos II a Catarina de Bragança, tem D. Nuno por patrono e o 25.° Batalhão de Fuzileiros Reais, com a designaçãode Santo Condestável tem como patrono o mesmo Beato;
• A fraternidade sacerdotal de São Pio X tem o Beato Nunocomo patrono do grupo de oração português, veneradona Suíça e em França, onde aparece em estandartes aolado de Santa Joana de Arc;
• O Exército Azul, fundado em 1947 nos EUA, com cercade oitenta milhões de membros espalhados pelo mundo,tem propalado a fama de santidade de Beato Nuno eajudado e espalhar o seu culto, renovado de modosignificativo, durante o período da guerra-fria;
• O Beato Nuno, em cerimónias do Exército Azul, foi invocado por alguns líderes mundiais, designadamenteConrad Adenaur, primeiro chanceler da Alemanha após aII Guerra Mundial e John F. Kennedy, senador e promotorde Fátima;
• A sociedade Beato Nuno, fundada nos EUA na década de90 do século passado, presta auxílio a viúvas e criançasórfãs no México, Colômbia, Argentina e outros países docontinente sul-americano;
• Em 1948 a biografia ”Obreiro da Paz”, relativa a BeatoNuno, tinha distribuído cerca de vinte milhões de exemplares em Inglaterra, Irlanda, EUA, Canadá e Filipinas;
• As revistas Soul (alma) e Scapular (escapulário) davam aconhecer Beato Nuno a todos os povos do mundo.Durante trinta anos esteve presente nos voos de paz quetransportavam a imagem da Virgem Peregrina;
• O interesse que o culto a São Nuno desperta no mundocatólico é tão avassalador que está em preparação oguião para um filme épico “o último cavaleiro da távolaredonda”;
• Em Angola, Macau e Timor, nas décadas de 60 e 70 doséculo passado, o culto a Beato Nuno esteve bastante activo;
• O Papa Bento XVI canonizou o Beato Nuno de SantaMaria em Abril de 2009.

O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira
O exemplo de D. Nuno Álvares Pereira
Victor Portugal Valente dos Santos
Victor Portugal Valente dos Santos

Coronel de Infantaria (Ref.),
sócio da SHIP
Ex-director do Museu do Campo Militar de S. Jorge
Mestrando em História Regional e Local na Faculdade de Letras de Lisboa