Notas sobre a vida e as representações do Condestável Nuno Álvares Pereira

Condestável Nun' Álvares Pereira Condestável Nun' Álvares Pereira
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Pedro Albuquerque 1


Nota introdutória

Como guerreiro e homem de fé, Nun’ Álvares Pereira é um nome sonante na História de Portugal e na construção da identidade portuguesa e, com muita probabilidade, como antepassado comum de grandes famílias reais europeias.

Para compreender esta personagem, assinalam-se alguns acontecimentos chave da época em que viveu, bem como as suas representações em Portugal e Espanha. Estas, por sua vez, devem entender-se como reflexo dos valores e mentalidade das sociedades2 e permitem afirmar que o Condestável foi admirado nos dois lados da barricada. Deve, por isso, recordar-se que esta importância, sobretudo do lado lusitano, está intimamente relacionada com o fato de boa parte da narrativa histórica portuguesa ter sido construída em torno da luta contra os muçulmanos e castelhanos3 .

Estas breves notas servem, portanto, para assinalar alguns eventos importantes da vida do Condestável e o modo como as gerações seguintes o lembraram.

A Europa no século XIV, segundo Jaime Nogueira Pinto,

1. A vida: de Nun’Álvares Pereira (1360 – 1422) a Nuno de Santa Maria (1422- 1431)

Nun’Álvares Pereira nasceu em Cernache de Bonjardim a 24 de junho de 1360, no reinado de D. Pedro. Filho de Iria Gonçalves do Carvalhal e de Álvaro Gonçalves Pereira, aos 13 anos começou a servir Leonor Teles e, pouco tempo depois, foi armado escudeiro. Começava assim o percurso de um destacável guerreiro4 que, após ter ficado viúvo de D. Leonor de Alvim (1388) e com três filhos (dos quais só uma, Beatriz, sobreviveu), recusou-se a casar novamente, o que foi por muitos visto como um ato de castidade.

Aos 21 anos, defendeu o Alentejo durante as guerras contra Castela e começou a chefiar importantes missões, entre elas as negociações para a rendição da guarnição do Castelo de S. Jorge, que lhe valeram o titulo de “libertador de Lisboa” (1383)5 . Em 1381 foi nomeado fronteiro-mor no Alentejo, mas destacou-se sobretudo durante a crise de 1383 – 1385, em que a independência portuguesa estava fortemente ameaçada. Desta crise resultou a ascensão de D. João, Mestre de Avis, ao trono de Portugal com um amplo apoio de vários setores da sociedade portuguesa de Norte a Sul6. A partir de 1384, com a vitória na batalha dos Atoleiros, a sua vocação militar começou a ganhar maior destaque, a tal ponto que ficou conhecido nessa época como o “invencível” que conseguia, com poucos homens, vencer a mais numerosa armada castelhana. Nesse mesmo ano, depois de prestar juramento ao Mestre d’Avis, foi nomeado Condestável do reino e Mordomo-mor.

As invasões castelhanas foram determinantes para que o seu génio militar se destacasse nas batalhas de Aljubarrota (14 de agosto de 1385) e, dois meses depois (17 e 18 de outubro desse ano), em Valverde del Camino (perto da fronteira com Portugal, na atual província de Huelva). Em ambas, Nun’Álvares infligiu pesadas derrotas às tropas castelhanas7. A última foi destacada na Vida e feitos do grande Condestável como episódio revelador da sua fé, uma vez que se ajoelhou a rezar em plena batalha e “mandou o seu alferes que avançasse à frente da hoste com grande pressa na direção do inimigo”. Nun’Álvares Pereira participou numa série de episódios militares que reforçaram o prestígio obtido nas batalhas de Atoleiros, Aljubarrota e Valverde. Após a obtenção da paz com Castela em 1411, a sua última grande campanha militar teve Ceuta como palco.

Entre 1415 e 1422, dedicou-se à gestão dos seus bens e à continuidade da construção de igrejas e capelas em Aljubarrota, Vila Viçosa, Monsaraz, Portel e Estremoz, passando a ser apelidado de Nuno de Santa Maria, ocupando o humilde cargo de leigo na Ordem dos Carmelitas. Este período marca, definitivamente, o início de uma fase espiritual marcada pelo desapego em relação às riquezas adquiridas durante a sua vida, assim como pela castidade, caridade e devoção8.

Capela de São Jorge, onde Nun’Álvares Pereira colocou a bandeira durante a batalha de Aljubarrota.

Faleceu a 1 de novembro de 1431. Sepultado no convento do Carmo durante noventa anos, foi trasladado para um mausoléu erigido por ordem de Dona Joana, filha dos Reis Católicos de Castela. Este mausoléu de alabastro foi arrasado pelo terremoto de 1755, sendo logo substituído por uma cópia de madeira. O seu corpo acabou por ser trasladado de igreja em igreja (S. Vicente de Fora, Panteão da família real de Bragança) até ter sido, definitivamente, sepultado na igreja do Santo Contestável em Lisboa, fundada nesse mesmo ano.

2. Nun’Álvares Pereira nas gerações posteriores (séculos XV – XXI)

Como se assinalou, a narrativa da história portuguesa fundamentou-se, em boa medida, num sentimento anti-castelhano e anti-islâmico. O protagonista desta reflexão construiu uma boa parte da sua imagem como guerreiro na definição da identidade e independência portuguesas. Isto explica a multiplicação de lendas que persistiram – e ainda persistem – nas tradições orais e no imaginário popular, que conduziram à sua ascensão ao estatuto de “Santo Condestável”, de autêntico herói nacional e exemplo de fé e perseverança a partir dos anos seguintes à sua morte. Efetivamente, as crónicas do século XV, a epopeia camoniana e a poesia espanhola fizeram eco destas imagens.

Centro de interpretação da Batalha de Aljubarrota (CIBA), no local onde se realizou a batalha.

A devoção à sua figura começou, por outro lado, nas terras onde marcou a sua presença9. É, contudo, nas crónicas do século XV que o seu nome começou a ser recordado como guerreiro. Destacam-se, neste contexto, a Crónica do Condestabre, autorizada e promovida por D. Duarte, escrita em c. 1438 e impressa em 1526 nas oficinas de Germão Galharde em Lisboa, bem como breves referências de Gomes Eanes de Zurara (1450)10. A Crónica saiu daquele prelo como uma proposta economicamente arrojada (pelo receio de imprimir uma obra em português)11. A sua publicação poucos anos mais tarde (1554) e uma tradução para latim (do sevilhano Juan Fernández) são, por si só, reveladores do acerto deste investimento e da importância da figura do Condestável como exemplo de virtudes no panorama intelectual do século XVI português, num contexto de tentativas de coesão da consciência nacional e de protagonismo da Expansão como foco da produção historiográfica12.

A primeira tentativa de canonização foi feita logo em 1438 por D. Duarte ao Papa Eugénio IV, assinalando-se a sua bondade, devoção, santidade e capacidade milagreira, dando assim início a um percurso em que a sua imagem foi venerada como homem de fé e, sobretudo, como santo13. Esta ideia encontra-se, igualmente, exposta no Compendio das chronicas da Orde[m] de Nossa Senhora do Carmo (1572), como “exemplo de humildade, castidade, & pobreza edifficando muitas casas em louor da Virgem gloriosa”14. Depois de várias tentativas, só em 26 de abril de 2009 se consumou a canonização.

N’Os Lusíadas (1572), a figura do Condestável é, igualmente, valorizada em várias ocasiões15. Embora os objetivos de Camões ao escrever este poema tenham sido os mesmos que os do discurso historiográfico quinhentista16, o interesse camoniano nesta personagem contrasta com outras obras do século XVI, nas quais estas personalidades não eram objeto de interesse maior. Como se sabe, Camões dedica dois cantos à história de Portugal17, e neles D. Afonso Henriques (III) e o Condestável (IV) adquirem um valor inquestionável como protagonistas da “sanguinosa guerra” que garantiu a independência portuguesa e a defesa da sua fé. Não é, por isso, estranho que o poeta lhe tenha dedicado bastante espaço do seu poema (IV, 14-46), assinalando-se a sua vocação militar na luta contra os castelhanos, bem como na conquista de Ceuta:

«Dom Nuno Álvares Preira digo, verdadeiro
Açoute de soberbos Castelhanos,
Como já o fero Huno foi o primeiro
Pera franceses, pera Italianos.»18

Deve ainda referir-se que foi mencionado com grande admiração por personalidades incontornáveis da poesia espanhola como Lope de Vega, Tirso de Molina ou Pedro Calderón de la Barca19. Esta admiração continuou no século XVII, sobretudo durante o domínio filipino. Por exemplo, em 1610, Duarte Lobo publicou um poema épico sobre o Condestável, dedicando-o a D. Teodósio, Duque de Bragança (que estaria no trono)20. Por outro lado, em 1623 e 1627 saíram dos prelos duas reedições da Crónica.

É, porém, ainda mais surpreendente a obra, publicada em 1640 na cidade de Madrid, da autoria de Rodrigo Méndez Silva, um cronista português das cortes de Filipe III e Filipe IV, intitulada Vida y hechos del Gran Condestabre de Portugal D. Nuño Alvarez Pereyra Conde de Barcelos, De Orem. De Arrayolos. Mayordomo. Mayor del Rey Don Iuan el Primero; Con los arbolos y descendencias de los Emperadores, Reyes, Príncipes, Potentados, Duques Marqueses y Condes del que se derivan. Trata-se de uma obra que trata, além do percurso biográfico, a descendência de Nun’Álvares Pereira na Europa, à qual se acrescentaram dados que não foram transmitidos em crónicas anteriores, nomeadamente alguns milagres que podiam ter feito parte de tradições orais ou de outros documentos. Não obstante, a publicação desta biografia neste contexto particular chama poderosamente a atenção pelo modo como o passado português era valorizado pelos monarcas espanhóis, o que em boa medida contradiz a imagem negativa da política filipina transmitida na historiografia portuguesa21.

«Sete imperadores, cinco imperatrizes, doze reis, vinte e cinco rainhas, vários Condestáveis de Castela», entre eles a esposa de Filipe IV e Carlos V, eram descendentes do Condestável, segundo Méndez da Silva22. Com isto, o autor coloca o Condestável em relação direta com países como Espanha, França, Hungria, Alemanha, Áustria, Polónia, Dinamarca, Suécia, Portugal, etc.23.

A estas representações acrescenta-se o contributo da poetisa Soror Violante do Céu, uma freira dominicana (1602 – 1693) do Convento da Rosa em Lisboa, que escreveu uma magnífica obra intitulada Parnaso Lusitano de Divinos e Humanos Versos, publicada quarenta anos após a sua morte (1733). No Soneto LIII desta obra pode ler-se um poema dedicado ao Condestável, incluído numa sequência de poemas dedicatos a santos e a personagens veneráveis:

«Oh que premios ganaron los servicios,
Que haveis hecho feliz al Rey Sagrado!
Pues depuso por vòs lo reboçado,
Quando abraços os diò por sacrificios,
Como lo merecido en lo alcançado,
Mucho del mismo Dios fuiste amado,
Pues Duis hizo de amante los officios,
Y tanto os regalò su Omnipotencia,
Que niño, como Dios de los amores,
Os diò los attributos de divino:
Pues como es Trino, si Unico en la Essencia
Unico os hizo a vòs en los favores,
Y en el Habito (Antonio) os hizo trin[…] ».24

Este bonito poema – escrito em Castelhano, como todos os de Violante do Céu – transmite a importância do Condestável no conjunto de personagens da História de Portugal ou a esta associadas, numa perspetiva religiosa que se explica pelas circunstâncias da vida desta poetisa barroca25.

A Crónica do Condestabre volta a publicar-se em 1848 como testemunho da literatura nacional.

A personagem, por seu turno, é celebrada por autores como Garrett e Herculano à imagem do nacionalismo e anti-castelhanismo romântico e num contexto de reinvenção das tradições portuguesas26, valorizando-se fundamentalmente o seu papel na defesa da nacionalidade.
Em 1918, Nun’Álvares é beatificado pelo Papa Bento XV. Um dos documentos coligidos por J. Pinharanda Gomes é uma carta pastoral que se enquadra neste episódio, da autoria de Dom António Mendes Belo, Cardeal Patriarca, em que se refere a permanência da memória e do culto a Nun’Álvares Pereira27. Neste caso, recupera-se fundamentalmente a imagem do leigo carmelita Frei Nuno de Santa Maria, valorizando-se a vertente guerreira em episódios como a conquista de Ceuta que, como se sabe, abriu caminho para a Evangelização de territórios até então desconhecidos para a Europa. Este foi o principal argumento numa proposta de canonização de 18 de novembro de 1940, assinada pelo Cardeal D. Manuel Gonçalves Cerejeira, no contexto da celebração do duplo centenário em Portugal.

Fernando Pessoa, n’A mensagem, prestou também uma homenagem tanto a D. João I como a Nun’Álvares Pereira, comparando a sua espada com a Excalubur do famoso rei Artur:

Que auréola te cerca?
Mas que espada é que, erguida,
faz esse halo no céu?
É Excalibur, a ungida,
que o Rei Artur te deu.

‘Sperança consumada,
S. Portugal em ser,
ergue a luz da tua espada
para a estrada se ver!28

(sobre Nun’Álvares Pereira)

Nesta obra dedicada às grandes personalidades portuguesas, Fernando Pessoa deixou um testemunho brilhante da sua escrita e sensibilidade, referindo D. João I e o Condestável (São Portugal em ser). Corria o ano de 1934 e o país que via, na sua ótica, encontrava-se em decadência. Facilmente nos apercebemos do significado dos dois últimos versos dedicados a Nun’Álvares Pereira, como também a admiração do grande poeta por outro que não o é menos: Camões. Neste contexto, retomar as grandes figuras da nacionalidade significava lembrar, também, que é possível retomar parte da grandeza de um País, relembrando um passado que não se repete, mas que pode servir de alavanca para a construção do futuro. A perspetiva de Pessoa sobre este passado está profundamente marcada pelo Sebastianismo, colhendo o pensamento de Padre António Vieira, autor de uma História do Futuro, em que Portugal seria o Quinto Império, não no sentido territorial do termo, mas no sentido espiritual. Pessoa acredita na força do Ser Humano e não tanto em Deus, daí a importância que confere a uma personalidade como o Condestável.

De qualquer modo, a figura do Condestável ganhou um interesse renovado a partir de 26 de Abril de 2009, dia em que o Vaticano o reconheceu oficialmente como santo. Isto conduziu à multiplicação de trabalhos sobre a sua vida, personalidade e papel no contexto histórico dos séculos XIV e XV em Portugal29. O percurso que tentámos assinalar ao longo destas linhas, tanto da vida do Condestável como das representações posteriores, omitiu a sua descendência, talvez por desinteresse pelo tema. No entanto, os resultados novos estudos parecem testemunhar uma nova valorização desta figura histórica, principalmente no seu papel de patrono de muitas casas reais europeias. É esse aspeto que Fernando Cristóvão destaca na recente edição crítica da Vida e Feitos do Grande Condestável (2010), sobretudo pela dimensão europeia que a figura de Nun’Álvares Pereira ganha com a valorização desta fonte.

3. Nun’Álvares Pereira hoje

Olhando para todo este percurso de representações, aqui exposto com necessária brevidade, sobressai a questão do modo como a literatura se relaciona com a vida, ou como inspiração ou como um espelho. No caso que nos ocupa, a formação do jovem Nuno, futuro Condestável, ou melhor, Santo Condestável, parece basear-se num ideal veiculado nos romances de Cavalaria. Em muitas obras, é possível verificar que o seu objetivo não é tanto o de refletir este ou aquele aspeto da vivência humana, mas antes fornecer-lhe algumas coordenadas. A arte das letras e os ecos da biografia, tal como Galaaz do círculo do rei Artur, parecem então fundir-se para proporcionar uma imagem embelezada de um homem como Nuno Álvares Pereira30.

Num mundo ocidental orientado para o plano físico e científico, e não tanto para o metafísico, os milagres e a vivência religiosa parecem tornar-se anedóticas e, como tal, acabam por ser remetidas para o plano da “curiosidade”. No entanto, independentemente das crenças religiosas que servem de ponto de partida para parte das representações da figura de Nun’Álvares Pereira, há aspetos que devem ser considerados, nomeadamente a sua generosidade em contraste com o mundo em que hoje vivemos. A independência portuguesa é, hoje, um dado adquirido, não fazendo sequer sentido um sentimento anti-castelhano como aquele que norteou boa parte da construção da identidade portuguesa e, consequentemente, o seu discurso sobre a História Nacional31.

Poderíamos escrever aqui, assim como nos capítulos precedentes, o percurso da História enquanto representação do passado e a forma com que esta lançou o seu olhar sobre a produção historiográfica precedente, mas esta reflexão levar-nos-ia por outros caminhos.

Muito fica, certamente, por dizer neste texto, mas em todo o caso assinala-se que a figura do Condestável é uma das poucas que – podemos dizê-lo com toda a certeza – se manteve praticamente imaculada ao longo dos tempos, sobrevivendo aos “altos e baixos” que episódios e personalidades tiveram na construção da História e, consequentemente, da personalidade coletiva de Portugal. O seu nome, independentemente do sentimento que norteia o olhar do observador, continua a estar associado, hoje e sempre, à defesa daquilo em que mais acreditamos. A descendência do Condestável torna-se, por isso, apenas mais um aspecto a acrescentar a todos aqueles que fazem dele uma personalidade incontornável do património comum da Europa.

Estátua do Condestável em frente ao mosteiro da Batalha.


O que podemos valorizar na figura do Condestável? A figura do guerreiro que infligiu pesadas derrotas ao inimigo na defesa dos interesses da Coroa? A figura do homem que, abandonando a vida militar, abdicou de todos os seus bens terrenos para se dedicar, em exclusivo, à caridade? O seu papel na construção da Europa, tanto pela sua descendência como pelo contributo que deu ao início da Expansão Portuguesa? Tudo depende do olhar, dos valores e da sensibilidade de quem se debruça sobre a sua figura, mas a admiração que suscita parece ser comum a todos esses olhares.

NOTAS

1 Universidade de Sevilha, Centro de Estudos Globais (Universidade Aberta). E-mail: pmalbuquerque78@gmail.com; albuquerque@us.es; pedro.albuquerque@uab.pt.

2 V. o excelente trabalho de José Luís Martín Martín, Aljubarrota vista pelos Castelhanos. [s.l.]: Fundação Batalha de Aljubarrota, 2008.

3 Paralelamente, a Historiografia espanhola ganha outros contornos a partir da conquista do reino de Granada aos Muçulmanos, orientando o seu discurso para a unificação dos Espanhóis sob a tutela dos Reis Católicos. Ver, a este respeito, Martí – Aguilar, M. A., Tarteso. La construcción de un mito en la historiografía española, Málaga, 2005, com uma excelente exposição desta problemática e com bibliografia.

4 Rodrigo Méndez da Silva, Vida e feitos heróicos do Grande Contestável. Edição coordenada por F. Cristóvão, Lsboa: Esfera do Caos, 2010.

5 Manuel Maria Wermers Nun’Alvares Pereira: a sua cronologia e o seu itinerário. Lusitania Sacra, (5), 1960, pp. 7-99, com uma cuidada compilação dos acontecimentos da vida do Condestável e referências às várias crónicas que o referem.

6 Para um resumo desta questão, veja-se o artigo publicado na página web da Fundação Batalha de Aljubarrota, em https://fundacao-aljubarrota.pt/docs/ciba_batalha_de_atoleiros.pdf (cons. 8/10/10).

7 José Luís Martín Martín, op. cit.

8 Jesué Pinharanda Gomes, S. Nuno de Santa Maria – Nuno Álvares Pereira. Antologia de documentos e estudos sobre a sua espiritualidade. Sintra: Zéfiro, 2009. Calado, A.A., Estoria de Don Nuno Aluarez Pereyra: Edição crítica da “Crónica do Condestabre”. Introdução, Glossário e Notas de Adelino de Almeida Calado. Coimbra, Universidade, 1991, p. LXXVI – LXXVII.

9 Alexandre Teixeira Barbosa, O Santo que salvou Portugal. Lisboa: Presselivre/ Correio da Manhã, 2009. Cf. Vida e Feitos do Grande Contestável. Edição crítica coordenada por Fernando Cristóvão, com tradução de António Castro Henriques, Lisboa, Esfera do Caos, 2010. Na introdução à edição crítica portuguesa desta obra, assinala-se também que o Condestável, «en la religion obrava Dios per el conocidos e evidentes milagros, sendo tenido en opinion e veneracion de santo» (p. 10). Corria o ano de 1640.

10 Crónica do Condestabre. Consultou-se a edição de 1848, publicada pela Tipografia Constitucional. É provável que Fernão Lopes se refira a este documento na Crónica de D. João I. Para esta questão, cf. António José Saraiva e Óscar Lopes, História da Literatura Portuguesa, 16ª ed., [s.d.], p. 142. O texto de Zurara pode ser lido no trabalho de J. Pinharanda Gomes, S. Nuno de Santa Maria (…), p. 47-8, ou no 8º volume da colecção HALP (História e Antologia da Literatura Portuguesa), p. 36 – 41.

11 A. Anselmo (p. 165, nº 576). Na publicação dos Impressos do século XVI, coligidos por M.ª Alzira Proença Simões, encontram-se dois registos (212 e 213). Pressupõe-se que outras cópias tenham desaparecido, ora por descuido, ora pela própria degradação destes documentos. As publicações sucederam-se desde então: 1554, 1623, 1848, 1911, 1972 e 1991 (ver edição crítica da Crónica do Condestabre, de Adelino de Almeida Calado).

12 Nair N.C. Soares, op. cit.

13 No texto da Crónica podem ler-se várias passagens que referem esta faceta: «(…) e ainda o dya de oje, depoys da sua morte, Deos, por sua merçee, fez e faz muytos milagres» (Cap. LXXIII). Autores como C. da Silva Tarouca defenderam que o documento foi escrito no contexto desta tentativa de canonização. Veja-se, contudo, a edição comentada de Adelino de Almeida Calado (1991), p. LXXV. Apenas um dos capítulos – o penúltimo – pode ter servido para este propósito, mas não parece ser essa a intenção do biógrafo anónimo.

14 Compendio das chronicas da Orde[m] de Nossa Senhora do Carmo…: Com exposiçam da Rera da dita Ordem…/ agora nouame[n]te copillado per frei Simão Coelho. [Lisboa]: per Antonio Gonçaluez, 1572. Texto digitalizado disponível na Biblioteca Nacional de Portugal. https://purl.pt/14257 (consultado a 12/11/2023).

15 Aires A. Nascimento, «Ditosa Pátria que tal filho teve: a voz de Camões por Nun’Álvares Pereira”. Memórias da Academia de Ciências de Lisboa, Clase de Letras”. Lisboa: ACL, 2009. https://comum.rcaap.pt/bitstream/10400.26/45375/1/anascimento_ditosa_patria.pdf (consultado a 14/11/2023).

16 Pedro Albuquerque, «Camões e Tartessos: leituras em torno de dois excertos d’Os Lusíadas». Spal 17, 2008, pp. 137 – 168.

17 Camões dedica 143 estrofes à História de Portugal no Canto III e 104 no IV (cf. Sena, J. de, A Estrutura de Os Lusíadas (…), 1980; Albuquerque, P., Op. Cit., p. 153 – 154. Camões volta a referir estas duas personalidades na descrição das bandeiras no Canto VIII (1 – 42).

18 Luis de Camões, Os Lusíadas IV, 24. 1-4.

19 V. A edição crítica de R. Méndez da Silva, op.cit., p. 398 (Tirso de Molina), 400 (Lope de Vega), 401 (Calderón de la Barca).

20 Maria Ana Ramos, «Da prosa à poesia épica. Hespaña Libertada». Versants 3 (69), 2022 pp. 85-103.

21 Carlos Margaça Veiga, A Herança Filipina em Portugal, Lisboa, Edições CTT. Cf. Fernando Cristóvão, «Introdução», em Rodrigo Méndez da Silva, op.cit., p. 12, n. 2).

22 F. Cristóvão, «Introdução», op.cit., p.15. Rodrigo «começa pela casa de Bragança, nomeando o “Rei Nosso Senhor Filipe IV, o Cardeal D. Fernando, a Imperatriz Maria e a Rainha de França, escalonando depoos as listas de nobreza por “três linhas”, pertencendo à primeira sua filha Beatriz; à segunda, os descendentes dela, entre os quais se contam duas rainhas, o Imperador Carlos V, etc.; à terceira linha Isabel, a Católica, o Imperador da Alemanha, o Rei da Hungria, a Rainha da Polónia, vários arquiduques e arquiduquesas, para além de uma interminável lista de duques, condes, marqueses» (ibid., p. 14-15).

23 R. Méndez da Silva, op.cit., p. 421ss.

24 Há uma pequena lacuna nas últimas letras desta palavra. Epitafio del Mausoleo del Venerable Conde D. Nuño Alvares Pereyra en el Carmen de Lisboa. Parnaso/ Lusitano/ de Divinos, e Humanos versos, compostos pela Madre Soror/ Violante do Ceo/ Religiosa dominicana no Convento da Rosa de Lisboa, Dedicado a’ Senhora Soror/ Violante do Ceo/ Religiosa no Convento de/ Santa Martha de Lisboa. Primeiro Tomo. Lisboa Ocidental, na oficina de Miguel Rodrigues, Impressor do Senhor Patriarca, 1733.

25 Para um melhor enquadramento da obra desta poetisa, v. Mendes, M.V., «A poesia de Sóror Violante do Céu (excerto)». História e Antologia da Literatura Portuguesa, nº 18, Século XVII. Poetas do Período Barroco. Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian, p. 33 – 38.

26 V. Teófilo Braga, História do Romantismo em Portugal, Lisboa: Nova Livraria Ocidental, 1880, p. 107ss.

27 J. Pinharanda Gomes, op.cit., p. 211-212.

28 Fernando Pessoa, A Mensagem.

29 Veja-se, por exemplo, João Gouveia Monteiro, « Nuno Álvares Pereira (1360-1431): de general a carmelita». Medievalismo 28, 2018, pp. 113-145.

30 Cf. J. Nogueira Pinto, Nuno Álvares Pereira, Lisboa, Esfera dos Livros, 2009, p. 56ss.

31 V. o trabalho de Rui Sousa e Ana Sofia Santos, «a incidência do Anticastelhanismo na Literatura Portuguesa. Séculos XIV – XVII.» Letras Comvida 1, 2010, pp. 141 – 154.