Editorial

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De braço dado com a Universidade


por José Ribeiro e Castro

Este número da revista “Independência” estreia a edição universitária, uma linha especial de edições que publicaremos sempre que possível e oportuno. A revista continuará com a regularidade semestral que está definida e mantendo o conteúdo de tipo diversificado que a tem caraterizado: artigos de reportagem, artigos de reflexão, crónicas, discursos, apresentações, ensaios e outros. Mas decidimos passar a fazer também edições extra, fora da periodicidade, para publicação exclusiva de trabalhos universitários.

Por isso, se chama Edição Universitária, estreando-se com sete trabalhos de grande qualidade: sobre uma grande figura do período da Restauração, o malogrado príncipe D. Teodósio, prematuramente falecido aos 19 anos; um grande intelectual português do seu tempo e aristocrata, o 4.º conde da Ericeira; uma seiscentista inovação farmacêutica; e três olhares sobre factos e políticas do século XX (a revolta dos Cruzadores, no final da monarquia; a 1.ª República e a Nova Europa; e, depois de 1974, as nossas relações internacionais sob o escopo da Independência Nacional, no entendimento de Melo Antunes). Temos muito orgulho na publicação destes estudos, seleccionados pela Prof. ª Doutora Isabel Drumond Braga e elaborados no quadro da preparação de mestrados ou de doutoramentos, jovens investigadores de História da nossa Universidade, em concreto da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. São trabalhos cuidados na investigação que os suporta e na escrita em que se traduzem, enobrecendo esta revista e a nossa instituição.

A nossa missão, definida nos Estatutos, diz bem aquilo que nos cabe fazer: cultivar a afirmação de Portugal; atender em especial a esta afirmação pelos portugueses, luso-descendentes e luso-falantes; defender a independência e a identidade de Portugal, no país e no estrangeiro; conferir com especial relevo à Língua e a Cultura Portuguesas, também no país e no estrangeiro; celebrar ou colaborar na celebração das grandes datas e eventos de Portugal; combater a generalização de doutrinas susceptíveis de ferirem a dignidade de Portugal, como um dos Estados-Nação mais antigos e identitários da Europa; colaborar com os órgãos de soberania e outras instituições na definição e aprofundamento dos princípios e valores estratégicos da independência e da identidade de Portugal.

Assim, na Sociedade Histórica da Independência de Portugal, não temos por objecto ou propósito realizar investigação histórica, mas somos uma instituição de divulgação histórica. À investigação dedicam-se outras entidades, como sobretudo as universidades e as academias, além de estudiosos a título individual, incluindo associados da nossa Sociedade Histórica, que são também, em muitos casos, académicos, doutorados ou professores. Nós somos beneficiários desse trabalho permanente de investigação histórica e, por isso, entendemos que, entre os nossos deveres, está o de ir divulgando os avanços, aprofundamentos e novidades em que trabalha e alcança. A História, bem o sabemos, está sempre em movimento e é desse movimento que queremos ir dando conta.

A revista “Independência” definiu, a partir do n.º 2 desta série, um modelo de edição que nos viabilizou, já que a tradicional edição em papel era de custos incomportáveis. É um modelo directamente acessível online, na internet, e que os leitores, se o desejarem, podem imprimir para leitura em papel, seja artigo a artigo, seja na totalidade da respectiva edição da revista, quando concluída. Este modelo pode ajustar-se às necessidades actuais da produção académica e universitária.

Na verdade, sendo a conjuntura económica a mesma, cremos que os autores de trabalhos de investigação em academias ou universidades se depararão com uma situação especialmente adversa: por um lado, a produção de trabalhos de qualidade é cada vez maior, em razão da maior frequência do ensino superior; por outro lado, as publicações científicas em papel vão rareando dados os elevados custos envolvidos e as dificuldades do respectivo mercado.
Por isso, decidimos responder a esta necessidade com a Edição Universitária. Usando uma linguagem tecnocrática, que abomino, mas se ajusta bem, esta é uma solução win-win: ganham os autores e os seus mestres, porque podem dar a conhecer os bons trabalhos de investigação produzidos; e ganhamos nós, Sociedade Histórica e revista “Independência”, porque prestamos mais um serviço público e podemos ser conhecidos e reconhecidos por ele.

Fazemos confiança no sucesso deste caminho. E, por isso, vamos prosseguir com novos números da Edição Universitária, quer na Universidade de Lisboa, quer noutras Universidades nacionais ou estrangeiras com trabalhos relevantes na História de Portugal e dos portugueses.
O futuro dirá.