Francisco Pardal *
Apresentação do tema
D. Teodósio, príncipe do Brasil, foi o filho primogénito de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão. A sua morte prematura, aos 19 anos de idade, impediu que sucedesse ao progenitor e, como tal, se convertesse no segundo monarca da Casa de Bragança. No entanto, importa referir que, na qualidade de herdeiro do trono português, auferiu de uma esmerada educação, alicerçada na aprendizagem de um vasto leque de matérias.
A preparação ao nível físico e intelectual foi bem sucedida, quer pela seleção dos mestres, quer pelo perfil erudito do príncipe. Desta forma, D. Teodósio foi uma figura a quem a leitura e a escrita suscitaram interesse, pelo que procuraremos explanar, no presente estudo, os aspetos que questão que lhe estiveram inerentes.
Estado da questão
É possível considerar que a historiografia não votou considerável importância ao príncipe D. Teodósio, pelo que a apresentação de um estado da questão sobre o seu perfil cultural se encontra subordinada aos aspetos biográficos do mesmo. Em primeiro lugar, aluda-se às principais fontes impressas que mencionam o filho primogénito de D. João IV, ao longo do período moderno. Em 1679, D. Luís de Meneses, 3.º conde da Ericeira, deu à estampa o primeiro tomo de História do Portugal Restaurado. Tendo procurado narrar o que de mais relevante ocorreu no reino, entre o 1.º de dezembro de 1640 e a assinatura da paz com Castela, em 1668, o titular ericeirense contemplou na sua obra alguns aspetos da vida de D. Teodósio, nomeadamente teceu um largo elogio das suas qualidades.
O conde da Ericeira não se inibiu de mencionar o facto de ter sido testemunha ocular de alguns acontecimentos, uma vez que foi criado junto do príncipe. Essa proximidade foi igualmente observável quando descreveu a morte do filho do Restaurador, recordando a tristeza que o acontecimento lhe causou, encontrando-se este em Moura, ao serviço do exército[1]. Em 1680, foi publicado Theodosius Lusitanus, a primeira biografia do primogénito real, da autoria do padre Manuel Luís, redigida em latim[2]. A obra em questão permite conhecer pormenorizadamente diversos aspetos da vida do herdeiro do trono. Os capítulos dedicados à sua educação e aspetos culturais reúnem informações relevantes, nomeadamente transcrições de excertos de obras escritas pelo príncipe, e aos quais o autor teve acesso[3].


Em 1747, João Batista Domingues deu à estampa Vida do Principe D. Theodosio. A par da obra do padre Manuel Luís, na qual se baseou, detalhou pormenorizadamente a vida do primogénito real, embora tenha dedicado algumas páginas a acontecimentos que reputavam ao biografado uma aura de santidade[4]. Em 1752, Diogo Barbosa Machado fez-lhe referência, no terceiro tomo de Bibliotheca Lusitana, extensa compilação de bibliografia portuguesa e respetivos autores[5]. O eclesiástico evidenciou, como seria expectável, os dotes intelectuais de D. Teodósio, nomeadamente a sua produção escrita[6].
Com o início do Liberalismo, no século XIX, a historiografia oitocentista demarcar-se-ia da anteriormente citada. Tome-se o exemplo de Oliveira Martins, que descreveu com parcialidade figuras do Antigo Regime. Em História de Portugal, editada entre 1879 e 1882, o autor referiu-se a D. Teodósio como príncipe malogrado, excessivamente dado à religião e ao misticismo, além de apodado de discípulo dos jesuítas, de modo particular do padre António Vieira[7]. Não obstante a forma depreciativa como o Antigo Regime foi encarado pela historiografia oitocentista, é possível apresentar alguns exemplos em que as referências a D. Teodósio não estiveram arreigadas a esse cunho, nomeadamente História de Portugal nos séculos XVII e XVIII (1869), de Luís Augusto Rebelo da Silva; e História do Infante D. Duarte (1889-1890), de José Ramos Coelho, onde é possível encontrar referências ao primogénito real[8].
Ao longo da primeira metade do século XX, a historiografia continuou a votar pouca atenção a D. Teodósio e, não raras vezes, fê-lo sob a ótica da análise liberal. Assim sucedeu com Damião Peres, que considerou o príncipe devoto e sonhador[9]. Eduardo Brasão, ao compilar documentação sobre o período restauracionista, conservada na Biblioteca da Ajuda, considerou que o filho primogénito de D. João IV foi inteligente e instruído, tendo beneficiado de uma esmerada educação. Por outro lado, fundamentando a sua opinião na religiosidade e nos seus princípios, estabeleceu um paralelo entre o herdeiro e D. Sebastião[10]. A historiografia durante o Estado Novo refletiu a exaltação dos valores patrióticos, nomeadamente a propósito das comemorações centenárias de 1940, alusivas à fundação e restauração de Portugal. O heroísmo das figuras restauracionistas foi evidenciado, sendo possível inserir D. Teodósio neste campo[11].
Poucos anos volvidos, em 1947, Hipólito Raposo publicou Dona Luísa de Gusmão, duquesa e rainha, em que as referências ao seu filho primogénito correspondem a um subcapítulo da obra[12]. As últimas décadas novecentistas ditaram uma viragem na apreciação histórica, em geral, e da Restauração, em particular. Verificou-se o abandono de uma narrativa centrada nos grandes heróis, além de, entre outros aspetos, ter pontificado uma maior imparcialidade. Não obstante, continuaram a escassear nas histórias de Portugal grandes referências ao príncipe do Brasil, quiçá pelo seu caráter genérico. É possível encontrar menções pontuais em obras da autoria de Joaquim Veríssimo Serrão[13].
Para o novo milénio, destaque para os capítulos dedicados à figura em questão nas biografias de D. João IV e de D. Luísa de Gusmão. O monarca Restaurador foi estudado por Leonor Freire Costa e por Mafalda Soares da Cunha (2006), ao passo que a sua consorte foi biografada por Monique Vallance (2012) e por Maria Paula Marçal Lourenço e Ricardo Fernando Pinto (2012)[14]. Nos últimos anos, a ausência de estudos exclusivamente dedicados a D. Teodósio veio a ser colmatada com alguns trabalhos, nos quais são revelados resultados preliminares de investigações em curso, sobre a educação e parenética fúnebre alusivas ao príncipe do Brasil, por Ana Martins, João Gabriel Caia e Francisco Pardal[15].
Esboço biográfico do príncipe D. Teodósio
Nascido em Vila Viçosa, em 8 de fevereiro de 1634, D. Teodósio foi o filho primogénito de D. João II, duque de Bragança, e de sua consorte, D. Luísa de Gusmão, filha dos duques de Medina Sidónia. Vindo ao mundo um ano após o enlace dos progenitores, recebeu o título de duque de Barcelos, criado em 1562, durante a menoridade de D. Sebastião, destinado aos herdeiros dos titulares brigantinos. O seu batismo ocorreu em 27 de fevereiro de 1634, na capela do paço ducal, tendo o sacramento sido ministrado pelo deão, António de Brito de Sousa[16].


A infância de D. Teodósio decorreu em Vila Viçosa, com relativa tranquilidade. Reinava em Portugal D. Filipe III e, embora fosse um dos mais importantes aristocratas lusos e descendesse de uma pretendente ao trono em 1580, D. João não era politicamente ativo[17]. Em 1640, quando contava seis anos de idade, a vida do titular barcelense sofreu grandes alterações, quando um grupo de fidalgos descontentes procurou colocar no trono um monarca de sangue e tradições portuguesas. Foi planeado um golpe, através do qual o rei era deposto, entregando-se o trono ao duque de Bragança. A conjura, que surtira o efeito desejado, foi preparada com muita antecedência pelos fidalgos. Na manhã de 1 de dezembro, pelas nove horas, os conjurados reuniram-se no terreiro do paço, onde neutralizaram a ação da infantaria fiel ao monarca, conseguindo entrar no paço da Ribeira[18].
D. Teodósio converteu-se, assim, herdeiro do trono português, tendo sido jurado como tal em cortes, em 28 de janeiro de 1641[19]. Volvido um ano, em 1 de março de 1642, D. João IV concedeu-lhe o cargo honorífico de coronel da nobreza[20]. Em carta régia, de 27 de outubro de 1645, foi feito príncipe do Brasil e duque de Bragança, títulos que, doravante, ficaram associados aos primogénitos reais. D. Manuel da Cunha, bispo de Elvas, transmitiu a informação ao filho do Restaurador, comentando que, por “o Brasil [ser] outro Mundo descuberto, que lhe dava o parabem de o ver Principe de outro Mundo”[21]. Embora este título fosse apenas nominal, o de duque de Bragança contemplava a administração da casa e o usufruto dos seus rendimentos. A governação foi transmitida a D. Teodósio em 14 de julho de 1652, dez meses antes do seu falecimento[22].
Por essa altura, o príncipe do Brasil já havia recebido casa própria, tendo em conta que transitou, em 6 de janeiro de 1649, para aposentos que se encontravam numa das alas do paço da Ribeira. O regimento que estipulava como se deveria servir D. Teodósio foi redigido por Pedro Vieira da Silva. De uma forma geral, é possível considerar que os camaristas serviam o rei e o herdeiro, semanalmente e em alternância[23]. Entre os gentis-homens da casa do filho do Restaurador, refira-se D. Henrique de Sousa Tavares, conde de Miranda do Corvo; D. Fernão Teles da Silva, futuro conde de Vilar Maior; D. Nuno de Mendonça, conde de Vale de Reis; D. Gregório de Castelo Branco, conde de Vila Nova de Portimão; D. Luís de Portugal, conde de Vimioso; D. João Nunes da Cunha, futuro conde de São Vicente; D. Tomás de Noronha, conde dos Arcos; e D. João Lobo da Silveira, conde de Oriola e barão de Alvito[24].
D. João IV referiu-se a D. Teodósio como “o meu Salomão”, equiparando-o à figura bíblica em questão, rei de Israel e detentor de invulgar sabedoria[25]. O Restaurador empenhou-se na educação do que, à partida, lhe sucederia no trono. Nomeou-lhe para aio D. Pedro de Pueros, de origem irlandesa, bispo eleito de Miranda, que supervisionou a sua instrução, além de se lhe ter confiado o ensino de astrologia, astronomia e latim. Juntem-se-lhe os mestres associados a várias matérias, a saber: António Galvão de Andrade, de cavalaria; Diogo Gomes de Figueiredo, de esgrima; e João Pascácio Cosmander, de matemática[26].
É possível conhecer aspetos da educação do príncipe, através de fontes manuscritas e impressas. Refira-se, a título de exemplo, Os sinquo livros do compendio das s[c]iencias matemáticas, redigido por D. Francisco de Melo, marquês de Sande, embora se aponte que, na realidade, saiu do punho do padre Simon Fallon, que lecionou no Colégio de Santo Antão, em Lisboa, entre 1639 e 1640[27]. De acordo com um dos fólios, este serviu propositadamente para ensinar o herdeiro do trono[28]. Tenha-se igualmente em conta Memória do que se usava no quarto do Príncipe D. Teodósio quando tomava lição de armas permite conhecer diversos aspetos relacionados a esta aprendizagem, por parte do herdeiro[29]. As aulas eram lecionadas em dois momentos, na chamada casa do dossel, sendo que a primeira principiava às oito horas e a segunda às quatro. O primogénito real recebia lições de montante, teóricas da espada e algumas batalhas, comumente disputadas com algum dos seus camaristas e sob o olhar atento do mestre[30].
A educação que D. Teodósio auferiu refletiu-se no seu interesse por assuntos de natureza política e militar[31]. D. João IV associou o filho primogénito ao conselho de Estado antes de este completar 13 anos, ou seja, em data anterior a 8 de fevereiro de 1647.
A participação do herdeiro do trono nas reuniões do referido órgão consultivo foi bastante empenhada, uma vez que preparava previamente os discursos que proferia, nos quais expunha as suas opiniões. Assim sucedeu em 1650, quando defendeu Roberto e Maurício do Palatinado, sobrinhos de Carlos I, recém decapitado monarca inglês. A frota que comandavam ancorou no estuário do Tejo, após tomar três navios da Comunidade de Inglaterra, reclamados pelo general Blake. O príncipe do Brasil não hesitou em defender a causa dos Stuarts, alicerçando o seu argumento na secular aliança anglo-lusa[32].
No que respeita ao papel militar desempenhado por D. Teodósio, não deixe de se referir a sua deslocação a Elvas, em 1 de novembro de 1651. A viagem ocorreu, inicialmente, de forma sigilosa e contou com a desaprovação de D. João IV. O príncipe do Brasil permaneceu junto da fronteira com Castela durante quase dois meses, procurando acompanhar o estado das fortificações, os exercícios militares e a regularização dos pagamentos aos soldados[33]. Durante a sua curta estadia, instalou-se no paço episcopal e não passou por privações, uma vez que o pai lhe fez chegar, através de António Cavide, cama, roupa e armadura dignas[34]. O regresso do príncipe a Lisboa ocorreu em finais de dezembro, após troca de correspondência com o progenitor, que continuava a preferir a sua presença na Corte[35].
Em 25 de janeiro de 1652, D. João IV nomeou D. Teodósio governador geral das armas do reino, confiando-lhe as funções que ele mesmo havia desempenhado, a saber: nomeação de cabos, atribuição de patentes e correspondência com governadores de armas e órgãos como o conselho de Guerra, a junta dos Três Estados ou a contadoria geral[36]. Conhece-se a troca epistolar entre o herdeiro do trono e D. Diogo de Lima e Brito Nogueira, visconde de Vila Nova da Cerveira, e D. Rodrigo de Meneses, governadores de armas do Minho e do Porto, respetivamente. A mesma pautou-se pela assiduidade e pela resolução de questões administrativas e militares[37].
O príncipe do Brasil adoeceu em finais de setembro de 1652, com uma enfermidade de foro pulmonar, sendo a tosse um dos primeiros sintomas. No entanto, dada a sua juventude e a boa saúde de que gozara até então, a questão parece ter sido relativizada pelos médicos, que optaram por esperar que os sintomas desaparecessem por si[38]. Uma vez que tal não se verificou, o primogénito real retirou-se durante algum tempo para a quinta da Palhavã, nos arredores de Lisboa, onde convalesceu até dezembro do referido ano. As melhorias e recaídas foram constantes ao longo dos meses seguintes, permitindo ao filho de D. João IV, até inícios de fevereiro de 1653, desempenhar as suas funções de governador geral de armas[39].
A busca por ares mais salutares voltou a colocar-se em 21 de abril de 1653, quando os médicos aconselharam que D. Teodósio não permanecesse no paço da Ribeira. Elegeu-se, para o efeito, a quinta de Paulo de Carvalho, em Alcântara, por ser contígua à do rei. Foi no referido espaço que o herdeiro do trono permaneceu as últimas semanas de vida. Em 3 de maio, verificou-se mais um agravamento no seu estado de saúde, desta vez considerado irreversível, ao entrar em estado febril e expelir sangue pela boca, ao tossir. Os médicos esclareceram que a sua vida não duraria muito, tendo-se este preparado para morrer cristãmente, dado o desinteresse que demonstrava pelo que era terreno[40].


Apesar das preces públicas que se realizaram pelo restabelecimento da sua saúde, D. Teodósio acabou por falecer, em 15 de maio de 1653, com apenas 19 anos. Após monumentais exéquias e um longo cortejo fúnebre, foi sepultado na igreja do mosteiro de Santa Maria de Belém[41]. As manifestações de dó pelo extinto ocorreram um pouco por todo o reino, desde celebrações eucarísticas à redação de poemas e textos laudatórios, que, ao mesmo tempo, tinham contornos políticos vincados. Tendo em conta o grande sentimento de perda, pelo desaparecimento do herdeiro do trono, vários sermões foram pregados em sua memória, em várias vilas e cidades portuguesas. O sermonário do príncipe encontrava-se povoado de elogios, retratando-o como uma figura afável, discreta, esclarecida, liberal, poderosa, prudente, sábia, santa e valerosa, características, muitas vezes, extremadas e de teor laudatório[42].
Leituras de D. Teodósio de Bragança: a aproximação possível
Em 1645, saiu dos prelos de Paulo Craesbeeck a obra Preferência das letras às armas, da autoria de João Pinto Ribeiro. O referido jurisconsulto, embora tenha reconhecido a importância de ambas temáticas, procurou defender a segunda, por aí residirem a ciência e a sabedoria, dependentes do entendimento e da memória, que não hesitou elencar entre os melhores atributos humanos. D. Teodósio, na qualidade de herdeiro do trono português, recebeu uma esmerada educação, tanto a nível militar como intelectual. Porém, mesmo tendo sido elogiado pelos seus contemporâneos, pelo papel desempenhado junto da fronteira, prevaleceu a imagem de um príncipe instruído e sábio[43]. Desta forma, refiram-se os hábitos de leitura do filho primogénito de D. João IV, reflexo da prevalência das letras.
De acordo com os biógrafos de D. Teodósio, vários momentos da sua rotina eram marcados pela leitura. Quando comia em mesa separada dos pais, nomeadamente em períodos de doença, pedia para que lhe lessem a vida de algum santo[44]. Não é improvável que Flos Sanctorum fosse frequentemente consultado para a atividade em questão, uma vez que se tratava de uma coletânea hagiográfica. Bastante popular entre a literatura peninsular da época moderna, conheceu diversas edições entre os séculos XVI e XVIII[45]. O príncipe do Brasil ter-se-ia familiarizado com outras obras de cariz religioso, pois era costume que, ao serão, António Rodrigues de Almeida lhe lesse algum livro histórico ou espiritual[46]. Refiram-se, a título de exemplo, a Bíblia ou a Imitação de Cristo, esta última atribuída a Thomas Kempis e profundamente difundida entre os leitores de confessionalização católica, granjeando 740 edições, em território europeu, entre 1474 e 1650[47].
Em 1645, foi publicada, a título póstumo, Paradisus Animae Christiane, de Jacob Merlo Horstius (1597-1644)[48]. Membro da Companhia de Jesus, licenciou-se em Teologia pela Universidade de Colónia, cidade onde residiu grande parte da sua vida. A obra do eclesiástico teve impacto no universo católico até ao século XIX, conhecendo diversas edições e traduções. No manual cristão acima mencionado constavam o ofício da Virgem Maria, salmos penitenciais, ladainhas e preces vocacionadas para períodos de guerra e calamidade pública[49]. Este parece ter sido apreciado pelo príncipe D. Teodósio, que, após conhecer o seu conteúdo, começou a colocá-lo em prática, levantando-se, desta forma, a possibilidade de o ter lido[50].
Fluente em línguas como o latim e o grego, o primogénito real foi igualmente apreciador de autores da antiguidade clássica. No que respeita a Aristóteles, presente nos acervos bibliográficos brigantinos desde o século XVI, é provável que tenha lido De Generatione et Corruptione[51], tendo em conta que um eclesiástico lhe entregou a referida obra em mãos, na biblioteca do paço[52]. Relativamente a Euclides, mencionado no presente estudo, a propósito do ensino da matemática a D. Teodósio, aluda-se ao facto de este ter explicado a sua obra a D. João Rodrigues de Sá e Meneses e a D. João Nunes da Cunha[53]. O exemplar manuseado foi, provavelmente, o que D. Vicente Nogueira lhe enviou, tendo em conta que o referiu em carta a D. Vasco Luís da Gama, datada de 28 de junho de 1649[54]. No caso de Virgílio, o príncipe do Brasil ordenava que lhe lessem o referido autor, provavelmente a Eneida, enquanto o vestiam[55].


O padre António Vieira, procurando exaltar a espiritualidade e o recato de D. Teodósio, referiu que este não se dedicava à leitura de livros profanos, mas sim aos de conteúdo religioso ou filosófico[56]. O eclesiástico aludiu ainda à poesia de Homero, presumindo-se que Ilíada e Odisseia, que constavam no acervo bibliográfico brigantino, tivessem sido lidas pelo príncipe do Brasil[57]. No que respeita à literatura greco-latina refira-se, por último, Quinto Cúrcio Rufo. Segundo João Batista Domingues, o conde de Penaguião lia um livro do autor em questão, tendo o herdeiro do trono pegado nele e o atirado ao chão, após uma breve leitura, mostrando assim o seu desagrado[58].
Não sendo exequível precisar quantos livros D. Teodósio leu, mencionem-se os que foram apontados pelos seus biógrafos. Além das obras espirituais e dos textos clássicos, refiram-se os que tinham a história e a política por tema, prática sugerida por António de Sousa de Macedo, Sebastião César de Meneses e outros autores de textos normativos para a educação de príncipes[59]. Os mencionados foram particularmente relevantes no caso do filho de D. João IV, por lhe terem dedicado, respetivamente Summa Política (1649) e Armonia Política (1651). Compilando um vasto leque de conselhos para o primogénito real, desde a educação à forma mais acertada de governar, ambas as obras primaram pela defesa do domínio de matérias, como ciência, filosofia moral e história, enquanto magestra vitae. Junte-se-lhes a afeição à religião, fundamentar para atrair qualidades, e uma correta aplicação da justiça[60].
Segundo François Lanier, em 1643, o primogénito real, então com nove anos, já se interessava por estudar história[61]. Sabe-se que, de um modo geral, entre 1650 e 1651, quando tinha entre 16 e 17 anos, se dedicou à leitura deste tipo de livros, permitindo-lhe escrever um compêndio dos principais acontecimentos do período suevo-visigótico[62]. Consta-se que leu diversas vezes um relato biográfico de D. João II, provavelmente o que saiu do punho de Garcia de Resende[63]. Um criado admirou-se pelo interesse do herdeiro do trono, tendo em conta que o monarca condenou à morte D. Fernando II, duque de Bragança, além de ter confiscado os seus bem e de ter extinguido a casa e o título nobiliárquico. Contudo, D. Teodósio referiu que se interessava pela leitura da obra por reconhecer no Príncipe Perfeito muitas qualidades, enquanto governante[64].
Em certa ocasião, o filho de D. João IV lia uma obra que versava sobre a história da Índia, indignando-se com o facto de um governador repleto de vícios não ter sido castigado[65]. Além de procurar ilustrar o apreço que o herdeiro do trono tinha pela implementação da justiça, este caso refere-se também ao interesse manifestado pela história do império português. Como tal, D. Teodósio pode ter lido as Décadas da Ásia, redigidas em vários volumes por João de Barros e concluídas por Diogo do Couto[66]. Outra hipótese diz respeito a Lendas da Índia, de Gaspar Correia, obra que apenas conheceu edição no século XIX, mas que se conservou manuscrita, pelo menos, nas bibliotecas dos condes da Vidigueira e dos marqueses de Abrantes[67].
Entre as obras seiscentistas que se acredita terem sido lidas por D. Teodósio, refira-se Euclides Elementorum e Opera Mathematica, de Cristóvão Clávio (1538-1612)[68]. O referido matemático e astrónomo, membro da Companhia de Jesus, constou entre os autores consultados pelo príncipe do Brasil, tendo em conta que os seus estudos contribuíram para que o primogénito real transmitisse os seus conhecimentos matemáticos a D. João Rodrigues de Sá e Meneses e D. João Nunes da Cunha[69]. Em 2 de fevereiro de 1647, D. Vicente Nogueira aludiu ao facto de tencionar presentear o herdeiro do trono com livros sobre as matérias em questão, nomeadamente da autoria de Abu Muça Jabir Ibne Haiane (c. 721 – c. 815), conhecido pelo nome latino de Geber[70]. Erudito muçulmano, dedicou-se aos estudos de alquimia, astronomia, arquitetura e medicina, entre outros. O intelectual radicado em Roma havia encontrado, através dos seus intermediários, uma raríssima obra do autor, que procurara ao longo de 50 anos[71].


Em 28 de junho de 1649, D. Vicente Nogueira revelou que dois livros de matemática haviam sido enviados a D. Teodósio por Santini, lente de matemáticas, comprovando que também a rede de contactos criada pelo eclesiástico português manifestou interesse em fazer chegar bibliografia ao primogénito real[72]. Além do próprio, outras figuras procuraram fazer o mesmo, como se pode observar na referida carta para o marquês de Nisa[73]. No que respeita a exemplares remetidos ao filho de D. João IV, aluda-se a Idea de un Príncipe Político Christiano representada en cien empresas, de Diego Saavedra Fajardo (1584-1648)[74]. D. Vasco Luís da Gama informou D. Vicente Nogueira, em 27 de setembro de 1647, de que o herdeiro já havia recebido o livro em questão[75].
De acordo com o exemplar de De mathematicis disciplinis existente na Biblioteca Nacional de Portugal, este havia pertencido ao herdeiro do trono português. No verso do frontispício foi redigida a seguinte nota: “Este Livro me deu o Principe Dom Theodosio q[ue] Deus tem em julho de 1648”[76]. O autor, Hugh Sempill, religioso jesuíta, lecionou no Real Colégio dos Escoceses de Madrid, tendo dedicado a referida obra a Filipe IV, relativamente difundida em meados do século XVII[77]. Não se sabe se o primogénito real leu o livro, mas é possível considerar que este realizava trocas bibliográficas com aqueles que lhe eram próximos. É possível estabelecer igualmente um paralelo entre o filho do Restaurador e a leitura de autores humanistas, a avaliar pela correspondência trocada entre D. Vicente Nogueira e D. Vasco Luís da Gama. Em 2 de fevereiro de 1647, o titular nisense tencionava oferecer-lhe as obras de Cataldo Parísio Sículo (1455-1517), poeta e humanista siciliano que, em 1485, foi nomeado precetor de D. Jorge de Lencastre, filho bastardo de D. João II[78]. Tendo, a partir dessa data, residido em terras portuguesas, de onde se correspondeu com diversos expoentes do humanismo italiano e onde foi dada à estampa a sua produção escrita[79].
O príncipe escritor: levantamento das obras redigidas por D. Teodósio
Além de se ter dedicado à leitura, D. Teodósio teve igualmente apreço pela escrita, atividade a que se dedicou distintamente. D. Luís de Meneses referiu, em História do Portugal Restaurado, possuir diversos “papeis elegantíssimos”, lavrados pelo próprio príncipe do Brasil[80]. Todos haviam sido redigidos em latim, considerando-se que evidenciava a elegância textual[8]. Tendo em conta que nenhuma obra do primogénito real foi integralmente impressa, é provável que se tenham perdido durante o terramoto de 1755, tendo em conta que se encontravam maioritariamente nos arquivos da casa de Bragança e na biblioteca dos condes da Ericeira. Excertos de livros e cartas foram transcritas por D. Luís de Meneses, D. António Caetano de Sousa, João Batista Domingues e, de modo particular, pelo padre Manuel Luís[82]. Em 1752, Diogo Barbosa Machado procedeu ao levantamento das obras redigidas por D. Teodósio, abaixo identificadas.
| Título | Observações |
| Regia Occupatio | Instrução política para os reis, revelando, através de sentenças e das Sagradas Escrituras e de outros autores, como se haver com Deus e com os vassalos. |
| Dosithei Macariapolis | Também conhecida como Theodosii Civitas beata. Posteriormente reunida a Dosithei Aureum Saeculum. |
| Dosithei Aureum Saeculum | Desenvolvimento de Dosithei Macariapolis, em que versava sobre a instituição de uma República semelhante à de Xenofante. Enviou uma cópia à rainha Cristina da Suécia. |
| Commentariae Sueciae, & Gothicae Historiae | Obra dedicada e remetida à rainha Cristina da Suécia. |
| De Emmendatione | |
| Cartas latinas escritas ao seu confessor | Tratou-se do padre André Fernandes. Compiladas e transcritas pelo padre Manuel Luís. |
| Duas cartas latinas escritas à rainha da Suécia | Compiladas e transcritas pelo padre Manuel Luís. |
| Três cartas, escritas a El Rei seu pai | Compiladas e transcritas pelo padre Manuel Luís. Uma das cartas foi traduzida para português e publicada por João Batista Domingues. |
| Exhortatio ad Serenissimum Portugalliae Regem, ejusque a secretis Consiliaris de non deserendis Principibus Ruperto, & Mauritio pro causa Regis Magnae Britaniae, nec admittendo Parlamentariorum in eos hostili ingressu | Discurso do príncipe D. Teodósio sobre dar abrigo a Roberto e Maurício do Palatinado, que se encontravam aportados no Tejo. Transcrito e publicado por D. Luís de Meneses, em português, e por D. António Caetano de Sousa, em latim. |
| Summa Astronomica in duos divisa libros. Primum de Astronomia. Secundus de Astrologia | |
| Compendio de Grammatica, Rethorica, Rhetorica, Astrologia, e Astronomia para sua instrução e de seus Condiscipulos | |
| Emmendatio | Referida por João Batista Domingues. |
| Título | Observações |
| Breve e Elegante Resumo da História dos Godos e dos Suevos | Redigido entre 1650 e 1651, quando D. Teodósio tinha entre 16 e 17 anos. Referido por João Batista Domingues. |
| Christiana Philosophia | Nesta obra, D. Teodósio mencionou Septica. |
| Septica | Mencionada em Christiana Philosophia |
| Confutação dos erros dos hereges antigos, e modernos | Para a redação desta obra, D. Teodósio pediu permissão ao Tribunal de Santo Ofício para ler livros heréticos, isto é, autores protestantes. |
| Fabulas moralizadas semelhantes às de Esopo | |
| Oração | Redigida em latim, foi publicada por João Batista Domingues. |
Fonte: D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História do Portugal Restaurado, t. I, Lisboa: Oficina de João Galrão, 1679, pp. 727-731; Manuel Luís, Theodosius Lusitanus, Évora: Imprensa da Universidade de Évora, 1680, pp. 80-89; D. António Caetano de Sousa, Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa, t. IV, Lisboa: Oficina Silviana, 1740, pp. 799-818; João Batista Domingues, Vida do Príncipe D. Theodosio, offerecida a Santa Joana, Princeza de Portugal, Lisboa: Oficina de António Pedroso Galram, 1747, pp. 149-165; Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana, t. III, Lisboa: Oficina de Inácio Rodrigues, 1752, p. 731.

A primeira mencionada por Diogo Barbosa Machado foi Regia Occupatio, ou seja, Ocupação Real, que mais não era do que uma instrução política para monarcas. A mesma revelava, através de sentenças e das Sagradas Escrituras, a relação do soberano com Deus e com os seus vassalos[831]. Primeiro escrito em latim e depois passado para a língua vernacular, apenas se lhe conhece o prólogo, por o padre Manuel Luís o ter publicado em Theodosius Lusitanus[84]. O mesmo sucedeu com Dosithei Macariopolis, cujo título pode ser traduzido, de acordo com João Batista Domingues, para Cidade de Teodósio bem-aventurada[85]. Nesta obra, o príncipe do Brasil debruçou-se sobre a forma como se haveria de instituir uma república, semelhante às ideias de Xenofonte[86].
O referido texto, produzido c. de 395 a.C., surgiu no contexto da vitória de Esparta, sob o comando de Agesilau, contra os Persas, em Sardes. Para o autor ateniense, o modelo espartano era bem sucedido, por se observar na dita cidade-estado o cumprimento da legislação, na restrição da mulher a um papel reprodutor, a valorização da educação, capacitando os homens para o desempenho político e a preponderância da militarização[87]. É provável que o filho de D. João IV se tenha revisto em alguns destes ideais, defendendo-os na sua obra, cujo prólogo se conhece, uma vez que foi transcrito pelo padre Manuel Luís[88]. Provavelmente consultou a edição quinhentista, traduzida do grego para o castelhano, adquirida pelo seu trisavô, D. Teodósio I, duque de Bragança[89].
O príncipe do Brasil deu continuidade à referida temática em Dosithei aureum saeculum, o mesmo é dizer Século de ouro de Teodósio, pois a primeira palavra correspondia a um anagrama[90]. Encontrando-se ambas concluídas em 1650[91], refira-se que uma cópia deste aditamento foi oferecida à rainha Cristina da Suécia, que se correspondeu com o primogénito do rei de Portugal. A soberana havia solicitado ao filho do Restaurador uma obra de sua autoria, para que a pudesse ler. O seu pedido teria sido atendido em 8 de fevereiro de 1651, conhecendo-se a missiva que refere o envio do manuscrito[92]. O escrito chegou à Corte de Estocolmo pela mão de João Frederico Frissendorf, residente da coroa sueca em Lisboa, tendo sido apreciado e estimado pela monarca, que ordenou que o mesmo fosse conservado junto dos seus “livros mais seletos”[93]. Uma cópia havia permanecido em Portugal, no arquivo da casa de Bragança, onde Diogo Barbosa Machado a identificou, em 1752[94].
Não é improvável que Cristina da Suécia tivesse recebido igualmente Commentaria Sueciae, & Gothicae Historiae, ou, quando muito, esta obra foi redigida com o propósito de regalar a soberana nórdica[95]. É possível encontrar uma cópia do referido manuscrito na Biblioteca Nacional de Portugal, presumindo-se que uma versão tenha permanecido em Lisboa[96]. O exemplar encontra-se incompleto, constando essa informação no inventário de manuscritos, publicado em 1896, por José António Moniz[97]. Algumas anotações sobre o título da obra permitem verificar que, em data próxima à da edição em questão, se estabeleceu contacto com o diretor da Biblioteca Real de Estocolmo, que permitiu esclarecer algumas dúvidas relativamente ao livro[98].


Tratava-se, nomeadamente, de uma cópia incompleta de Gothorum Sueonumque Historia, de Johannes Magnus (1488-1544)[99]. O autor foi o último arcebispo católico de Uppsala, tendo-se exilado em Roma a partir de 1526, data em que o reino sueco abraçou a confessionalização luterana[100]. A obra em questão foi publicada a título póstumo, em 1554, por iniciativa de Olaus Magnus (1590-1557), irmão do autor, versando a mesma sobre a história da Suécia, ainda que obedecendo a narrativas fantasiosas[101]. Não se tratando de um trabalho original de D. Teodósio, pode, ao menos, vislumbrar-se nesta redação uma tentativa de conhecer melhor o tema em questão. Junte-se-lhe ainda a hipótese de o príncipe do Brasil ter procurado agradar à rainha Cristina, caso lhe tenha remetido uma cópia manuscrita de Commentaria Sueciae, & Gothicae Historiae.
Alguns excertos da produção de D. Teodósio sobreviveram graças ao padre Manuel Luís, que os transcreveu, em Theodosius Lusitanus, como sucedeu com o primeiro capítulo de De Emmendatione[102]. Relativamente a Summa Astronomica in duos divisa libros. Primum de Astronomia, Secundus de Astrologia anno aetatis 12 labente 1646; Compendia de Grammatica, Rethorica, Rhetorica, Astrologia, e Astronomia para sua instrução e de seus Condiscipulos;e Christiana Philosophia e Fabulas moralizadas semelhantes às de Esopo, apenas se lhe conhece o título[103]. Refiram-se igualmente uma oração, as cartas remetidas a D. João IV, D. Luísa de Gusmão e ao padre André Fernandes, assim como o discurso apresentado ao conselho de Estado, no qual defendeu os príncipes Roberto e Maurício do Palatinado, como atrás ficou dito[104].
Não deixa de ser notável o facto de D. Teodósio ter deixado uma produção de assinalável dimensão, tendo em conta que viveu apenas 19 anos. No caso de Summa Astronomica, foi escrita quando o herdeiro do trono tinha 12 anos, em 1646. O seu desaparecimento precoce provavelmente impediu outras redações e, mais concretamente, levou a que algumas que se encontravam em curso não tivessem sido concluídas. Assim sucedeu com Confutação dos erros dos hereges antigos, e modernos, trabalho que deixou inacabado, em 1653[105]. Piedoso e defensor convicto da confessionalização católica, o príncipe do Brasil havia encomendado livros heréticos, ou seja, redigidos por autores protestantes, nas Províncias Unidas[106].
Para preparar o referido texto, D. Teodósio solicitou autorização ao Tribunal do Santo Ofício para a leitura dos textos adquiridos em terras neerlandesas, uma vez que estes se encontravam interditos em Portugal[107]. A sua posse apenas era permitida aos estrangeiros não católicos, fruto da liberdade de consciência oficialmente aceite com a Restauração, nomeadamente após a assinatura do tratado luso-sueco de 1641, salvaguardando-se o exercício da religião dentro de casas e de embarcações[108]. Refira-se igualmente Macaritides, ou seja Reyno bem-aventurado, que narrava a viagem de um homem que aportou, após perigosa navegação, e dirigiu-se a uma afortunada Corte[109]. Se desta obra apenas se conhecia a introdução, nos casos de Breve e Elegante Resumo da História dos Godos e dos Suevos, Emmendatio, Septica restaram apenas os títulos[110].
Conclusão
D. Teodósio de Bragança foi o herdeiro do trono português entre 1640 e 1653, datas, respetivamente, da entronização de D. João IV e do falecimento do próprio príncipe, antes do progenitor. O Restaurador investiu de forma particularmente notável na instrução do seu filho primogénito, com vista a suceder-lhe, na qualidade de rei de Portugal. Prova-o a aprendizagem de um vasto leque de matérias, designadamente astrologia, astronomia, cavalaria, esgrima, latim e matemática. Estas foram lecionadas por figuras de vulto de meados do século XVII, entre os quais António Galvão de Andrade, Duarte Gomes de Figueiredo, João Pascácio Cosmander e D. Pedro Pueros.
No que à instrução do príncipe do Brasil diz respeito, não deixem de se ter igualmente em conta diversos hábitos culturais, advindos, em nosso entender, da educação auferida. Em primeiro lugar, figura a leitura, que marcou diversos momentos do quotidiano e que, em parte, foram enumerados pelos biógrafos teodosianos. Através das fontes impressas, é possível apurar que D. Teodósio leu autores clássicos, medievais e modernos, nomeadamente Abu Muça Jabir Ibne Haiane, Cataldo Parísio Sículo, Cristóvão Clávio, Diego Saavedra Fajardo, Euclides, Garcia de Resende, Homero, Hugh Sempill, Jacob Merlo Horstius, Quinto Cúrcio Rufo, Thomas Kempis e Virgílio. Entre as hipóteses levantadas constam igualmente Diogo do Couto, Garcia de Resende, Gaspar Correia e João de Barros.
Relativamente à escrita, sobretudo em latim, sabe-se que o filho do Restaurador foi afeto a temáticas como astronomia, história e religião. A maior parte destes trabalhos desapareceu, tendo sobrevivido os excertos que o padre Manuel Luís incluiu em Theodosius Lusitanus, em 1680. Ressalve-se ainda Commentaria Sueciae, & Gothicae Historiae, remetido à rainha Cristina da Suécia, conservando-se uma cópia na Biblioteca Nacional de Portugal. Este exemplar, a par dos demais excertos sobreviventes, permitem verificar a erudição do primogénito real, fruto da sua apetência e, concomitantemente, da instrução que se lhe destinou.

* Doutor em História, pela Faculdade de Letras da ULisboa, sob orientação da Prof.ª Doutora Isabel Drumond Braga. Email: francisco.pardal@letras.ulisboa.pt. ORCID: https://orcid.org/0000-0003-3535-571X
[1] D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História do Portugal Restaurado, t. I, Lisboa: Oficina de João Galrão, 1679, pp. 42-802.
[2] Manuel Luís, Theodosius Lusitanus, sive Principis perfecti vera effigies: rerum sub id tempus in Lusitania praeclaré gestarum nativis coloribus illuminata, Évora: Oficina da Universidade de Évora, 1680.
[3] Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, pp. 89-90.
[4] João Batista Domingues, Vida do Principe D. Theodosio, offerecida a Santa Joana, Princeza de Portugal, Lisboa: Oficina dos Herdeiros de António Pedroso Galram, 1747.
[5] Sobre Diogo Barbosa Machado cf., sem prejuízo de outros, Ana Paula Sampaio Caldeira, Colecionar e escrever a história: a memória do império português legada por Diogo Barbosa Machado, Rio de Janeiro, Fundação Biblioteca Nacional, 2017, pp. 27-72.
[6] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana, Histórica, Crítica, e Chronológica, na qual se compreende a notícia dos Authores Portuguezes, e das Obras, que compuzerão desde o tempo da promulgação da Ley da Graça até o tempo prezente, t. III, Lisboa, Oficina de Inácio Rodrigues, 1752, pp. 729-731.
[7] Joaquim Pedro Oliveira Martins, História de Portugal, t. II, Lisboa, Livraria Bertrand, 1882, pp. 118-126.
[8] Luís Augusto Rebelo da Silva, História de Portugal nos séculos XVII e XVIII, t. IV, Lisboa: Impressão Régia, 1869, pp. 193-246; José Ramos Coelho, História do Infante D. Duarte, Irmão de El-Rei D. João IV, t. I-II, Lisboa, Academia Real das Ciências, 1889-1890.
[9] Damião Peres, História de Portugal, vol. 6, Barcelos: Portucalense Editora, 1934, pp. 70-75.
[10] Eduardo Brasão, “Alguns documentos da Biblioteca da Ajuda sobre a Restauração”, Revista Ocidente, n.º 108, Lisboa, 1940, p. 35.
[11] Luís Reis Torgal, “Restauração: breves reflexões sobre a sua historiografia”, Revista de História das Ideias, n.º 1, Coimbra, 1977, pp. 23-27.
[12] Hipólito Raposo, Dona Luísa de Gusmão, duquesa e rainha, 1613-1666, Lisboa: Empresa Nacional de Publicidade, 1947, pp. 217-225.
[13] Joaquim Veríssimo Serrão, História de Portugal, vol. V, Lisboa: Verbo Editora, 1991, p. 384; Pedro Cardim, “D. João IV (1640-1656). A luta por uma causa rebelde”, in José Mattoso (dir.), António Manuel Hespanha (coord.), História de Portugal, vol. 4, Lisboa: Editorial Estampa, 1998, p. 407.
[14] Leonor Freire Costa e Mafalda Soares da Cunha, D. João IV, Lisboa: Temas & Debates, 2006; Monique Vallance, A rainha restauradora: Luísa de Gusmão, Lisboa: Círculo de Leitores, 2012, pp. 98-105; Maria Paula Marçal Lourenço e Ricardo Fernando Pinto, D. Luísa de Gusmão (1613-1666): restaurar, reinar e educar, Lisboa: Gradiva Publicações, 2012, pp. 143-154.
[15] Ana Martins e João Gabriel Caia, “O papel da educação nos séculos XVI e XVII: o príncipe D. Teodósio como estudo de caso”, Callipole, n.º 26, Vila Viçosa, 2019, pp. 83-96; Francisco Pardal, “’Na morte de sábios Príncipes não perdem pouco os Reinos’: a parenética fúnebre por ocasião da morte de D. Teodósio (1634-1653), Príncipe do Brasil”, Erasmo. Historia Bajomedieval y Moderna, n.º 9, Valladolid, 2022, pp. 93-122; Francisco Pardal, A formação de um herdeiro em tempos de consolidação dinástica: o príncipe D. Teodósio (1634-1653), Lisboa: Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, 2025.
[16] D. António Caetano de Sousa, História Genealógica da Casa Real Portuguesa, t. VII, Lisboa: Régia Oficina Silviana, 1740, p. 263.
[17] António de Oliveira, Poder e Oposição Política em Portugal no Período Filipino (1580-1640), Lisboa: Difusão Editorial, 1990, p. 167.
[18] Rafael Valladares, La rebelión de Portugal, 1640-1680: guerra, conflicto y poderes en la Monarquía Hispánica, Valhadolid: Junta de Castilla y León – Consejería de Educación y Cultura, 1998.
[19] Isabel Drumond Braga e Paulo Drumond Braga, “O juramento dos herdeiros do trono em Cortes (séculos XIV-XVII)”, in As Cortes e o Parlamento em Portugal. 750 Anos das Cortes de Leiria de 1254. Actas do Congresso Internacional, Lisboa, Assembleia da República, 2006, p. 251.[20] D. António Caetano de Sousa, Provas da História Genealógica da Casa Real Portuguesa, t. IV, Lisboa: Régia Oficina Silviana, 1740, p. 791.
[21] D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História… cit, t. I, p. 697.
[22] Lisboa, Arquivos Nacionais da Torre do Tombo (ANTT), Gavetas, Gav. 20, mç. 16, n.º 15, fol. não num.
[23] Lisboa, ANTT, Manuscritos da Livraria, n.º 170, fols. 93-101; Pedro Cardim, “A Casa Real e os órgãos centrais do governo no Portugal da segunda metade de seiscentos”, Tempo, n.º 13, Rio de Janeiro, 2002, pp. 21-23.
[24] D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História…, t. I, p. 697.
[25] Leonor Freire Costa e Mafalda Soares da Cunha, D. João IV…, p. 287.
[26] Francisco Pardal, A formação…, pp. 236-259.
[27] Bernardo M. Mota, Sphaera mundi: a ciência na aula da esfera: manuscritos científicos do Colégio de Santo Antão nas coleções da BNP, Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, 2008, pp. 65-66.
[28] Lisboa, Biblioteca Nacional de Portugal (BNP), Reservados, cód. 2260, fol. 1
[29] Conservam-se dois manuscritos desta memória, na Biblioteca da Ajuda e na Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. Cf. Lisboa, Biblioteca da Ajuda (BA), 51-IX-32, fols. 102-102v; Coimbra, Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (BGUC), Manuscritos, ms. 504, fols. 120v-121.
[30] Coimbra, BGUC, Manuscritos, ms. 504, fols. 120v-121.
[31] Leonor Freire Costa e Mafalda Soares da Cunha, D. João IV…, pp. 287-288.
[32] D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História…, t. I, pp. 727-731.
[33] João Batista Domingues, Vida…, pp. 136-137.
[34] Lisboa, BA, 51-VI-15, fols. 35-71.
[35] D. António Caetano de Sousa, Provas…, t. IV, p. 793.
[36] Paris, Bibliotéque National de France (BNF), Fonds Portugais, n.º 26, fol. 79.
[37] Lisboa, BA, 51-VIII-39, fols. 17-176; 51-X-18, fols. 49-432v; 51-X-19, fols. 9-212; Lisboa, ANTT, Miscelâneas Manuscritas, vol. 3, fols. 222-236.
[38] [D. João Rodrigues de Sá e Meneses] [Conde de Penaguião], Elogio funeral do Principe D. Theodosio, N[osso] Senhor. Relação das exéquias e lutos com que sentio sua morte o Ex[celentíssi]mo João Ro[dri]g[ue]z de Sa Conde de Penaguião, Londres: s.n., 1653, p. 13; Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, p. 125.
[39] João Batista Domingues, Vida…, pp. 169-172.
[40] Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, p. 131.
[41] Lucas d’ Andrade, Breve relaçam do enterro que se fes em 17 de Mayo de 1653, ao Serenissimo Principe o S[enhor] D. Theodosio, desde os Paços de Alcântara, ao Real Convento de Belém, onde foi depositado, Lisboa: António Álvares, 1653, pp. não num.
[42] Francisco Pardal, “Na morte…”, pp. 99-112.
[43] Fernando Castelo Branco, “Teodósio, Príncipe D. (1634-1653)”, in Joel Serrão (dir.), Dicionário de História de Portugal, vol. VI, Porto: Livraria Figueirinhas, 1971, p. 148.
[44] João Batista Domingues, Vida…, pp. 36-37.
[45] Cristina Sobral, “O Flos Sanctorum de 1513 e as suas adições portuguesas”, Lusitania Sacra, n.º 13-14, Lisboa, 2001-2002, pp. 531-533.
[46] João Batista Domingues, Vida…, p. 37.
[47] Ana Isabel Buescu, A livraria renascentista de D. Teodósio I, duque de Bragança, Lisboa: Biblioteca Nacional de Portugal, 2016, p. 103.
[48] Jacob Merlo Horstius, Paradisus animae christianae. Manuale pietatis, in quo officium B[eatae] Mariae Virginis, septem Psalmi poenitentiae, litaniae variae, accessus altaris, psalterium et orationes tempore velli et calamitatis publicae, Colónia: J. Kinchii, 1670. Consultou-se esta edição, por não ter sido possível localizar a original.
[49] Jacob Merlo Horstius, Paradisus…
[50] Paul de Barry, Livro intitulado cuydayo (sic) bem: ensina meyo breve, facil, e seguro para se salvar. Dedicado à mocidade christam & a todos, os que desejam lograr a ditoza Eternidade. Acrecentado com a Filosofia do verdadeyro Christam & de novo com hum exercício cotidiano mui proveytoso para o mesmo fim; que praticava o Serenissimo Principe de Portugal D. Theodosio, Évora: Imprensa da Universidade de Évora, 1674, pp. 281-282.
[51] Ana Isabel Buescu, A livraria renascentista…, p. 205.
[52] João Batista Domingues, Vida…, p. 97.
[53] João Batista Domingues, Vida…, p. 58.
[54] Um diálogo epistolar: D. Vicente Nogueira e o Marquês de Niza (1615-1654), introdução e edição de João Carlos Gonçalves Serafim, Porto: Edições Afrontamento, 2011, pp. 85-86.
[55] João Batista Domingues, Vida…, p. 37.
[56] António Vieira, “Voz Seg[un]da Obsequiosa. Sermão das Exéquias do Sereníssimo Príncipe de Portugal D. Theodosio de Saudosa Memória, Prégado no Collegio da Companhia de Jesus de São Luís do Maranhão”, in Sermões Varios e Tratados, ainda não impressos, do Grande Padre António Vieyra da Companhia de Jesus, Offerecidos à Magestade DelRey D. João V, t. XV, Lisboa: Oficina de Manuel da Silva, 1748, p. 265.
[57] António Vieira, “Voz Seg[un]da Obsequiosa…”, p. 265; Ana Isabel Buescu, A livraria renascentista…, p. 148.
[58] João Batista Domingues, Vida…, pp. 109-110.
[59] Sebastião César de Meneses, Summa Política: Offerecida ao Principe de Portugal D. Theodosio, reedição fac-similada da edição de 1650, Rio de Janeiro: Editores J. Leite & Cia, 1921, p. 22; António de Sousa de Macedo, Armonia Politica… cit., p. 243; António de Sousa de Macedo, Armonia Política dos documentos divinos com as conveniencias d’ Estado: exemplar de principes no governo dos gloriosíssimos reys de Portugal: ao sereníssimo príncipe Dom Theodosio, Haga do Conde: Oficina de Samuel Broun, 1651, p. 243.
[60] Sebastião César de Meneses, Summa Política…, pp. 12-174; António de Sousa de Macedo, Armonia Politica…, pp. 10-246; Martim de Albuquerque, “Para uma teoria do barroco em Portugal: a Summa Politica de Sebastião César de Meneses, 1649-1650”, Revista de História, vol. 2, Porto, 1979, pp. 63-101; Anna Dzialak-Szubinska, “Armonia Politica (1651) de António de Sousa de Macedo – speculum principum ao serviço da dinastia de Bragança”, Iberomania, n.º 97, Berlim, 2023, pp. 21-37.
[61] Paulette Demerson, “Correspondence diplomatique de François Lanier, residente de France à lIsbonne, 1642-1644”, Arquivos do Centro Cultural Português, vol. XXXV, Lisboa, 1994-1996, p. 792.
[62] João Batista Domingues, Vida…, p. 134.
[63] Garcia de Resende, Lyvro das obras de Garcia de Rese[n]de que trata da vida & gra[n]dissimas virtudes: & bo[n]dades magnanimo esforço: excele[n]tes costumes & manhas & muy craros feitos do christianissimo: muyto alto e poderoso principe el Rey do[m] João o segundo deste nome, Lisboa: Luís Rodrigues, 1545.
[64] João Batista Domingues, Vida…, p. 84.
[65] João Batista Domingues, Vida…., pp. 106-107.
[66] A publicação de Décadas da Ásia ocorreu durante um largo período, compreendido entre os séculos XVI e XVIII. Como tal, é provável que o príncipe D. Teodósio, caso tenha lido a referida obra, tenha recorrido, em parte, a versões manuscritas. Para uma edição completa da referida obra cf. João de Barros e Diogo do Couto, Décadas da Ásia de João de Barros e de Diogo do Couto, Décadas I-XII, Lisboa: Régia Oficina Tipográfica, 1777-1788.
[67] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. II, pp. 345-346; Gaspar Correia, Lendas da Índia, t. I-III, Lisboa: Tipografia da Academia Real das Ciências, 1858-1866.
[68] Cristóvão Clávio, Euclidis sex primi elementorum geometricorum libri cum parte undecimi, Roma: Bartolomaei Zanneti, 1629; Idem, Christophori Clavii Bambergensis e Societate Jesu Opera Mathematica, t. I-V, Mainz: Antonii Hierat, 1611-1612.
[69] João Batista Domingues, Vida…, p. 58.
[70] Um diálogo epistolar…, p. 85.
[71] Um diálogo epistolar…, p. 85.
[72] Um diálogo epistolar…, p. 251.
[73] Um diálogo epistolar…, p. 251.
[74] Um diálogo epistolar…, p. 121.
[75] Um diálogo epistolar…, p. 121.
[76] Hugh Sempill, De mathematicis disciplinis libri duodecim, Antuérpia: Oficina Plantiniana Balthasaris Moreti, 1635.
[77] Sobre a obra de Hugh Sempill cf., sem prejuízo de outros, Luís Campos Ribeiro, “Jesuits and Astrology: Print versus Manuscript”, Journal of Jesuit Studies, n.º 10, Boston, 2023, p. 451.
[78] Um diálogo epistolar…, p. 85.
[79] Sobre a vida e obra de Cataldo cf., sem prejuízo de outros, Américo da Costa Ramalho, “Cataldo no reinado de D. Manuel I (1495-1521)”, in Roberta Amorim, Isabel Pinho e Carla Passos (coord.), D. Manuel I e a sua época: actas do III Congresso Histórico de Guimarães, Guimarães: Câmara Municipal de Guimarães, 2004, pp. 47-55.
[80] D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História…, t. I, p. 731.
[81] D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História…, t. I, p. 731.
[82] D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História do Portugal…, t. I, pp. 727-731; padre Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, pp. 80-80v; D. António Caetano de Sousa, Provas…, t. IV, 1740, pp. 799-818; João Batista Domingues, Vida…, pp. 149-165.
[83] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731.
[84] Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, p. 80.
[85] João Batista Domingues, Vida…, p. 116.
[86] Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, p. 80v; Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731.
[87] Xenofonte, La Republica de los Lacedemonios, tradução de Maria Rico Gómez, Madrid: Centro de Estudios Constitucionales, 1989. Para as ideias defendidas por Xenofonte cf., sem prejuízo de outros, Cleyton Tavares da Silveira Silva, “Esparta como Vontade e como Representação: uma introdução à escrita de Xenofonte na construção da Lacedemônia”, Alethéia, vol. 2, Bagé, 2010, pp. 1-13.
[88] Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, p. 80v.
[89] Xenofonte, Las obras de Xenofonte trasladadas de griego en castellano por el secretario Diego Gracian en tres partes, Salamanca: Juan de Junta, 1552, pp. 205v-211v; Ana Isabel Buescu, A livraria renascentista…, p. 127.
[90] [Frei Luís de Sá], Exéquias feitas à Memória do Serenissimo Principe e Senhor Dom Theodosio Primeiro deste nome. Celebradas na Capella Real do Hospital da Cidade de Coimbra, Coimbra: Oficina de Manuel Dias, 1654,p. 27; João Batista Domingues, Vida…, p. 116.
[91] [Frei Luís de Sá], Exéquias…,p. 7.
[92] Estocolmo, Riksarkivet, Diplomatica Portugallica, vol. 24, fol. não num.
[93] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731.
[94] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731.
[95] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731.
[96] Lisboa, BNP, Reservados, cód. 292.
[97] [José António Moniz], Inventário – Secção XIII – Manuscriptos, Lisboa: [Biblioteca Nacional de Lisboa], 1896, p. não num.
[98] Lisboa, BNP, Reservados, cód. 292, fol. não num.
[99] Apenas foi possível localizar a edição de 1558, ao invés da original, como se pretendia. Cf. Johannes Magnus, Gothorum Sueonumque Historia, Basileia: Oficina Isingriniana, 1558.
[100] Sobre a vida e obra de Johannes Magnus cf., sem prejuízo de outros, Birgitta Ernby et. al., “Johannes Magnus”, in Nortedts forsta svenka ordbook, Estocolmo: Nortedts ordbok, 2001, p. 285.
[101] Para esta questão cf. Kurt Johannesson, The Renaissance of the Goths in Sixteenth-century Sweden: Johannes and Olaus Magnus as Politicians and Historians, tradução de James Larson: University of California Press, 1991.
[102] Manuel Luís, Theodosius Lusitanus…, pp. 88-89.
[103] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731.
[104] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731; D. Luís de Meneses [Conde da Ericeira], História…, t. I, pp. 727-730; João Batista Domingues, Vida…, p. 165.
[105] João Batista Domingues, Vida…, pp. 79-80.
[106] João Batista Domingues, Vida…, p. 59.
[107] Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana…, t. III, p. 731.
[108] Sobre esta questão Cf. Isabel Drumond Braga, Entre duas Maneiras de Adorar a Deus: os Reduzidos em Portugal no Século XVII, Lisboa: Edições Colibri, 2008, p. 27.
[109] João Batista Domingues, Vida do Principe D. Theodosio…, p. 117.
[110] João Batista Domingues, Vida do Principe D. Theodosio… cit., pp. 117-134; Diogo Barbosa Machado, Bibliotheca Lusitana… cit., t. III, p. 731.
