João Abel da Fonseca**
Quarenta dias (1) depois da Ressurreição, Jesus apareceu pela última vez aos seus discípulos, em Jerusalém, e levou-os ao Monte das Oliveiras. Depois de lhes ter renovado a promessa do Espírito Santo, ergueu as mãos ao céu e abençoou-os. Nesse instante começou a elevar-se no ar e não tardou que uma nuvem o escondesse dos olhos deles. Como estes continuaram a olhar, apareceram-lhes dois anjos a anunciar que Jesus voltaria do mesmo modo que o viram subir ao céu, sua morada eterna, onde ficou sentado à direita do Pai. Então, os discípulos deixaram o Monte das Oliveiras e regressaram a Jerusalém.
Cabe salientar que a Segunda vinda de Cristo, segundo advento ou parúsia (do grego παρουσία, «presença») é um termo usualmente empregado com a significação religiosa do regresso glorioso de Jesus Cristo, no fim dos tempos, para presidir ao Juízo Final, conforme as Escrituras. Quanto ao Domingo de Pentecostes, é a data móvel na Igreja Católica, celebrada 50 dias após o Domingo de Páscoa e 10 dias após a Ascensão de Jesus. A Ascensão não significa que Jesus desapareceu, mas que a sua humanidade entrou definitivamente na esfera da glória divina. Como Jesus subiu aos céus, os cristãos acreditam que Ele abriu o caminho para que a humanidade também participe da vida eterna.
O Dia da Ascensão é uma festa religiosa católica, móvel, celebrada em muitos concelhos de Portugal como dia feriado, e que, como já foi referido, ocorre 40 dias depois da Páscoa, sempre a uma quinta-feira. O Dia da Espiga, coincidente na data, nasceu do antigo ritual cristão da bênção dos primeiros frutos. No entanto, por ter ligação com o desabrochar da Natureza, esta tradição radica nos antigos costumes pagãos associados às festas em honra das deusas romanas Maia e Flora.
Maia era a deusa romana que dá nome ao mês de Maio (em latim, Maius), que lhe era consagrado, e personificava o crescimento, a terra e a fertilidade, ou mais propriamente Maia Majestas, assimilada à ninfa grega Maia, a mais velha das sete Plêiades. Flora era a deusa romana das flores e da Primavera, homenageada durante os Ludi Floralia, um conjunto vibrante de jogos que ocorria entre o final de Abril e o início de Maio, simbolizando a renovação da vida. Também por esta altura se celebravam, anteriormente, na mitologia grega, as festividades em honra da deusa Clóris. O primeiro dia de Maio é chamado o Dia das Maias. Existe um pouco por todo o país, principalmente no meio rural, a tradição de enfeitar as janelas com giestas na noite de 30 de Abril para 1 de Maio. Esta tradição chama-se «as maias», «os maios» ou «a flor do maio» e é diferente consoante as regiões do país.
Também se diz «pôr as maias à porta». É uma tradição muito antiga, ligada à Primavera e aos rituais da agricultura. José Leite de Vasconcelos refere que a mais «antiga menção desta festa popular, festa evidentemente naturalística, posto mais ou menos desviada da sua significação primitiva, já pelo próprio Paganismo, já pelo Cristianismo, creio que se acha nestas linhas da Postura da câmara de Lisboa de 1385: “Outro sim estabelecemos que daqui em diante em esta Cidade e em seu termo não se cantem as Janeiras nem Maias, nem outro nenhum mês do ano”». Usam-se giestas porque são flores muito abundantes nesta altura do ano e porque como são amarelas representam a luz, a vida.
Muitas das tradições que foram adotadas pela Igreja Católica têm raízes pagãs, assimiladas para que os povos, entretanto convertidos ao Cristianismo, não se revoltassem pela perda daquelas festividades. No caso em apreço, surgiu em Portugal a denominada Lenda das Maias, sem fundamento nos Evangelhos. Quando Herodes enviou os soldados procurarem o Menino Jesus, para lhe tirar a vida, na sequência da fuga da Sagrada Família para o Egipto, em face de algumas informações recolhidas, aqueles marcaram com um ramo de giestas as portas das casas que lhes tinham sido indicadas como prováveis no acolhimento, para que mais tarde as pudessem identificar ao longo das aldeias visitadas. Por intervenção divina, no dia seguinte, ao
amanhecer, todas as portas das aldeias estavam adornadas com ramos de giesta florida. Sem saber qual porta correspondia ao Menino, os soldados não conseguiram cumprir a ordem e a Sagrada Família conseguiu fugir.


Na tradição Celta a primeira noite de Maio celebrava a fertilidade da Terra, em que as populações pediam que a mãe Natureza lhes desse boas colheitas e bons frutos nesse ano. Era chamada a noite de Beltane, que significava «o fogo de Bel», dedicada ao deus que protegia a vida, altura em que eram realizados rituais de purificação pelo fogo.
Soltava-se o gado e as pessoas tinham a tradição de saltar uma fogueira para ter sorte no amor. Em Portugal, esta tradição ainda é praticada na noite de São João, quando se acendem fogueiras e, segundo a tradição popular, se deve saltar a fogueira para ter sorte no amor.
O Dia da Espiga, coincidindo com o Dia da Ascensão, foi feriado nacional em Portugal até 1952, tal como ainda hoje acontece em muitos concelhos, como feriado municipal. Na verdade, obrigada a abdicar de alguns feriados religiosos, a Igreja Católica aceitou «sacrificar» a Quinta-feira da Ascensão. Os concelhos que mantêm o feriado municipal são: em Alcanena, Alenquer, Almeirim, Alter do Chão, Alvito, Anadia, Ansião, Arraiolos, Arruda dos Vinhos, Azambuja, Beja, Benavente, Cartaxo, Golegã, Loulé, Mafra, Marinha Grande, Mealhada, Melgaço, Monchique, Mortágua, Oliveira do Bairro, Salvaterra de Magos, Santa Comba Dão, Sobral de Monte Agraço,
Torres Novas, Vidigueira e Vila Franca de Xira. Na Europa surge no calendário como feriado nacional na Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Suécia e Suíça.


O Dia da Espiga (2) era também conhecido como o Dia da Hora (3), considerado «o dia mais santo do ano», um dia em que não se devia trabalhar. Era chamado o Dia da Hora porque havia uma hora, o meio-dia, em que se acreditava que tudo parava: «as águas dos ribeiros deixavam de correr, o leite não coalhava, o pão não levedava e as folhas se cruzavam».
Era nessa hora que se colhiam as plantas para compor o ramo da espiga e também se colhiam as ervas medicinais, que possuíam, segundo as tradições pagãs, propriedades curativas consideradas mágicas. A ideia de o Sol ao meio-dia simbolizar o «dia a parar» deriva do meio-dia solar verdadeiro, o momento em que o Sol atinge o seu zénite, o ponto mais alto no horizonte, É uma transição exacta: o Sol deixa de subir e começa a descer, criando a ilusão de um suspiro estático no tempo. Quando o Sol atinge o seu ponto de maior elevação no céu, cruza-se com o meridiano local. Como «ponto de paragem», a própria etimologia da palavra deriva do latim meridies, que significa «meio-dia» e também «sul», apontando para o instante em que a ascensão contínua cessa para dar lugar à descida, daí a relação com o
terminus da ascensão de Jesus Cristo aos céus.
A cada uma das plantas (4) que integram o denominado ‘Ramo da Espiga’, que deverá ser atado usando os caules do cereal (5), está associado um significado, como voto de prosperidade para o lar:
1 Espiga – representa o pão através do conjunto das espigas de trigo, centeio ou aveia, sempre em número ímpar, mas podendo ser de uma ou mais espécies, é um elemento incontornável, obrigatório no ramo, simbolizando a fertilidade e a base de sustento das famílias, garantia perene de descendência e do seu bem-estar (6);
2 Malmequer – uma clássica alegoria de inocência, pureza e afectividade (7), representa, ainda, conforme a cor amarela ou branca, respectivamente, o ouro ou a prata, simbolizando a fortuna, a riqueza e a prosperidade;
3 Papoila – sendo a flor mais graciosa do ramo, é a primeira a murchar, pelo que representa a efemeridade, a fragilidade e a transitoriedade da vida, da beleza e da juventude, simbolizando o amor e a paixão que deve acompanhar a vida (8);
4 Oliveira – sendo uma das espécies arbóreas mais antigas e resistentes do mundo, com uma notável longevidade, podendo viver milhares de anos, representa, pela sua capacidade de regeneração, um verdadeiro símbolo histórico de resiliência. Com lugar cativo no ramo, acrescenta-lhe uma matriz divina ancestral, que remonta ao tempo do grande dilúvio. Simboliza a paz, a luz, a sabedoria, a esperança, a reconciliação, a renovação e a harmonia, omo desígnios universais (9);
5 Alecrim – com o seu aroma vigoroso, exemplo de planta resistente a longos períodos de seca e pragas, simboliza a saúde e a fortaleza física e espiritual (10);
6 Videira – representa o vinho, constituindo-se, também, num elemento indispensável no ramo. O pão e o vinho são os símbolos fundamentais da Última Ceia de Jesus, representando o seu corpo e o seu sangue. Na tradição cristã, formam a base do sacramento da Eucaristia. O corpo que foi repartido pela humanidade e o sangue que foi derramado para selar uma Nova Aliança e remir os pecados. Simboliza a alegria, a abundância e a comunhão com a Natureza (11);
7 Uma planta medicinal (12) – simbolizando a necessidade de se manter o corpo são.


Importa ter presente que, na Eucaristia, o pão e o vinho simbolizam o sustento da vida, a doação total de Cristo e a união da comunidade. O pão representa o alimento essencial para a vida física, simbolizando Jesus como o «Pão da Vida» que nutre o espírito. Feito a partir de muitos grãos moídos que se unem numa só massa, simboliza a Igreja e a união de todos os fiéis num só Corpo. Na Última Ceia, Jesus partiu o pão, simbolizando o seu próprio corpo que seria entregue e sacrificado pela humanidade. O vinho é símbolo de festa, alegria e celebração. Na Bíblia, representa a Nova Aliança selada por Deus com o seu povo. Produzido a partir de uvas esmagadas no lagar, simboliza o sangue derramado por Cristo na cruz e a sua paixão. Na liturgia, mistura-se uma gota de água ao vinho no cálice, simbolizando a união inseparável da divindade de Cristo com a humanidade dos fiéis.
Hoje em dia, nas grandes cidades, as pessoas já não se deslocam ao campo para colher o Ramo da Espiga, mas há quem os venda, tendo-os colhido e atado, fazendo negócio com a tradição. Em boa-hora, ajudando a preservá-la.


Adagiário popular português
«Água d’Ascensão, tira o vinho e dá o pão»
«Água de Maio, pão tremês, não o percas nem o dês»
«Chuvas da Ascensão bebem vinho e comem pão»
«Chuvinha da Ascensão dá palhinha e dá pão»
«Da Páscoa à Ascensão, quarenta dias vão»
Guarda para Maio o pão tremês: não o comas nem o dês»
«No Dia da Ascensão nem os passarinhos bolem nos ninhos»
«O vento que soprar em Quinta-feira de Ascensão, soprará todo o Verão»
«Por onde Maio passou, tudo espigou»
«Quem tem trigo da Ascensão, todo o ano terá pão»
«Quinta-feira da Ascensão, coalha a amêndoa e o pinhão»
«Se chover em Quinta-feira de Ascensão, as pedrinhas darão pão»
«Depois da Ascensão, nem salma nem sermão» (13)
Cancioneiro popular português
«Tudo vai colher ao campo
Quinta-feira d’Ascensão,
Trigo, papoila, oliveira.
P’ra que Deus dê paz e pão» (14).
«Quinta-feira de Ascensão
As flores têm virtudes,
Quis amar teu coração,
Fiz empenho, mas não pude» (15).
«Em Quinta-feira de Ascensão,
Quem não come carne
Não tem coração;
Ou de ave de pena,
Ou de rês pequena» (16).
«Se os passarinhos soubessem
Quando é dia d’Ascensão,
Nem subiam ao seu ninho,
Nem punham o pé no chão» (17).
«Espiga de trigo amarela,
Pão nosso de cada dia,
Azeite, luz e candeia,
Dá-nos, Senhor, alegria.
Malmequeres e papoilas,
Com a haste de verde linho,
Símbolo da nossa terra,
Neste tão sagrado raminho».
«Ó quinta-feira da espiga,
Dia de sol e de festa,
Vamos todos para a leira,
Ver o trigo que nos resta.
Canta o cuco lá no monte,
A andorinha no telhado,
O Dia da Espiga é lindo,
Com o campo verde e dourado».
«No dia da Espiga bela,
Vou ao campo colher o ramo.
Trago a paz na verde rama,
E o amor na minha janela».
«Quinta-feira de Ascensão,
Manhãzinha de orvalho e luz.
Espiga de trigo na mão,
Em louvor ao Menino Jesus».


Tradições e superstições populares portuguesas
I – Ir ao campo (18) no ‘Dia da Espiga’, por volta do meio-dia, colher seis tipos de plantas para compor o denominado ‘Ramo da Espiga’, como forma de se garantir ter um ano de fartura (19), fortuna, amor, paz, saúde e alegria. Importa salientar que o número de espigas deverá ser ímpar, por estarem associadas a antigos rituais mágicos e pagãos de sorte, proteção e fecundidade. Os números ímpares simbolizam o infinito, o crescimento e a renovação contínua, afastando a má sorte que tradicionalmente se atribuía aos números pares.
II – Para trazer sorte e prosperidade, e afastar os maus olhados, guardar o ‘Ramo da Espiga’ até ao mesmo dia do ano seguinte, atrás da porta principal da casa, pendurado «de cabeça para baixo», para afastar os espíritos maléficos (20). O Ramo da Espiga, seco, colhido no ano anterior, não deve ser deitado no lixo, mas sim queimado, e as cinzas enterradas, por ser considerado um símbolo sagrado e um amuleto de proteção do lar que absorveu as energias malfazejas durante o ano passado.
III – Guardar um pãozinho no Dia da Espiga (21) (Quinta-feira da Ascensão), simbolizando a fartura e a abundância desejadas no ano vindouro. Acredita-se que, ao guardar um pão, de preferência junto ao Ramo da Espiga, este não criará bolor (22) durante todo o tempo, devendo então ser substituído, tal como o ramo, na festividade do ano seguinte. Comer o ‘pãozinho do Dia da Espiga’ do ano anterior, demolhado em leite, é um antigo rito popular de frugalidade, gratidão e continuidade. Simboliza a transição entre colheitas, reforçando a crença de que nunca faltará alimento na casa. O significado deste costume assenta em três pilares: 1. Símbolo de abundância e veneração pelo sagrado – Comer o pão antigo, em vez de o deitar ao lixo, prova que não houve escassez no ano que passou e que o pão se manteve abençoado; 2. Evitar o desperdício e a má sorte – Na sabedoria popular, mormente no meio rural, deitar pão ao lixo era considerado um «pecado», ou um mau agoiro. Demolhá-lo em leite é uma forma de o aproveitar, transformando algo duro num alimento reconfortante; 3. Ciclo da vida e renovação – O pão «velho» é comido precisamente no dia em que se benze e pendura o pão «novo» (Quinta-feira da Ascensão). Fecha-se um ciclo anual, no qual o pão «velho», ao dar lugar ao pão «novo», pereniza o sustento da família, dando as boas-vindas à nova colheita que se deseja abundante.
IV – Em dias de trovoada, deve queimar-se alguma das espigas, alecrim, alfazema ou rosmaninho do ramo, no fogo da lareira, para afastar os raios (23).
V – Chovendo na quinta-feira da Ascensão enquanto duram as preces da Hora, as novidades são pouco abundantes (24).
VI – Sobre o Dia da Espiga: Colhem-se espigas, folhas de oliveira, papoilas, malmequeres, para ter dinheiro e fartura todo o ano.
Crê-se que entre o meio-dia e a uma da tarde (a já referida Hora) as folhas de oliveira estão «entrecruzadas», e, como as Portas do Céu estão abertas, aguardando a chegada de Jesus Cristo na sua ascensão, quem neste dia morrer, durante aquele período, vai para o Céu (25).
VII – A gema do ovo que a galinha põe, durante a Hora, dá-se a quem deita sangue pela boca (26).
Antes de terminar, importa deixar um breve apontamento sobre a bibliografia mais usada neste bosquejo singelo.
Etnografia Portuguesa, de José Leite de Vasconcellos e Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga e Festa do Leite, de António Vermelho do Corral.
Aproveito a oportunidade para deixar um brevíssimo currículo do Senhor Professor António Vermelho do Corral, nosso muito eminente sócio, que se encontra ente nós.
Foi docente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, na Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, na Universidade Internacional, no Instituto Superior Politécnico Internacional e na Universidade Internacional da Figueira da Foz, onde lecionou cadeiras relacionadas com a Administração Ultramarina; Ciências Sociais e Políticas e Ciências Antropológicas e Etnológicas, constituindo-se uma autoridade nestas últimas ciências, com estudos que se toraram de referência, a nível nacional e internacional, fruto de inúmeros trabalhos de campo, realizados durante longos anos.
Ouvi ao Prof. Adriano Moreira referir-se-lhe como um seu amigo, um homem sábio, e um dos mais modestos com quem convivera no meio académico.
O saudoso sócio Prof. Jorge Borges de Macedo escreveu que: «[…]
Não pode falar-se em ambiente cultural que protege os consagrados e esquece
os primitivos ou que anda à procura dos primitivos e deixa fugir os
indiscutíveis» (27).
Querido Prof. Vermelho do Corral, para si, que considero, e nisso estou muito bem acompanhado, um verdadeiro indiscutível, aceite esta homenagem que aqui lhe deixo, significando-lhe o profundo reconhecimento pela sua excelsa produção científica, e por me ter vindo a distinguir com a sua amizade, há mais de três décadas. Bem-haja!
E agora, sim, termino, com uma das mais conhecidas máximas
populares de proteção na cultura portuguesa, denominada «benzedura»,
referenciada e comentada por José Leite de Vasconcellos, que funciona como
um pedido de bênção e um escudo contra a inveja, o «olho gordo» ou o
«quebranto»:
«Que os bons olhos nos vejam, e os maus quebrados sejam».



Bibliografia
Estudos
Cancioneiro Alentejano: Poesia Popular, recolha, pref., coment. e notas por SANTOS, Victor. Lisboa: Livraria Portugal, 1959.
Cantos Populares Portuguezes: Recolhidos da Tradição Oral, coord. PIRES, Antonio Thomaz, Vol. I. Elvas: Typ. Progresso, 1902.
CHAVES, Luís, Páginas Folclóricas: A Canção do Trabalho. Separata da revista Lusitana, Vol. XXVI. Porto: Tip. Imprensa Portuguesa, 1927.
CORRAL, António Vermelho do, Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite. Lisboa: Apenas Livros Lda., 2010 (2.ª ed.).
DELGADO, Manuel Joaquim, A Etnografia e o Folclore no Baixo Alentejo (Aspectos vários. Curiosidades linguísticas. Comentário, recolha e notas do autor). Separata da revista Ocidente, Vols. LIV e LV. Lisboa: Tip. da Editorial Império, Lda., 1957/58, pp. 28 e 120.
OLIVEIRA, Ernesto Veiga de, “A Quinta-feira de Ascensão em Portugal”. Festividades Cíclicas em Portugal, Colecção ‘Portugal de perto’, N.º 6. Lisboa: Dom Quixote, 1995 (2.ª ed.), pp. 113-118. PEDROSO, Consiglieri, Contribuições para uma Mitologia Popular Portuguesa e Outros Escritos Etnográficos, org., pref., e notas LEAL, João, Colecção ‘Portugal de perto’, N.º 16. Lisboa: Dom Quixote, 1988.
PEIXOTO, Rocha, Etnografia Portuguesa (Obra etnográfica completa), org., pref., e notas GONÇALVES, Flávio, Colecção ‘Portugal de perto’, N.º 20. Lisboa: Dom Quixote, 1995 (2.ª ed.), pp. 51-56.
Tradições Populares Transtaganas, recolhidas por PIRES, Antonio Thomaz. Elvas: Tip. Moderna, 1927.
VASCONCELLOS, José Leite de, Cancioneiro Popular Português, coord. e introd. NUNES, Maria Arminda Zaluar, Vol. III. Acta Universitatis Conimbrigensis. Coimbra: Universidade de Coimbra, 1983.
– Etnografia Portuguesa. Tentame de Sistematização, org. GUERREIRO, Manuel Viegas, pref. RIBEIRO, Orlando, Vol. VIII. Lisboa: IN-CM, 1982.
– Tradições Populares de Portugal, org. e apresent. GUERREIRO, Manuel Viegas, Col. Temas Portugueses. Lisboa: IN-CM, 1986 (2.ª ed., rev. e aument.).
Documentos electrónicos (Webgrafia)
A história do Dia da Espiga. SAPO Blogs-gamepassion – History Passion [em linha a 09-05-2018, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://gamepassion.blogs.sapo.pt/a-historia-do-dia-da-espiga-20877
Celebrar as épocas do ano – Dia da Espiga: a sua origem e significado. Blog Sara & Felipa Educa_são [em linha a 12-05-2021, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://www.educasao.org/post/dia-da-espiga-a-sua-origem-hist%C3%B3ria-e-significados
Dia da Espiga – Conheça a história e o simbolismo desta data. Blog Horto do Campo Grande [em linha]. Lisboa: Horto do Campo Grande, 04-05-2026 [consult. 10-05-2026]. Disponível em https://hortodocampogrande.pt/flores/dia-da-espiga-conheca-a-historia-e-o-simbolismo-desta-data/
MARTINS, Maria Helena – Saiba de onde vem a tradição das Maias. Blog SAPO [em linha a 01-05-2023, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://sapo.pt/artigo/saiba-de-onde-vem-a-tradicao-das-maias-c720-68b1db4e2c46fb2396ebd15a
MATOS, Hernâni – O Dia da Espiga (2.ª ed.). Blog Do Tempo da Outra Senhora [em linha a 01-06-2015, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://dotempodaoutrasenhora.blogspot.com/2011/06/o-dia-da-espiga-2-edicao.html
Por onde maio passou, tudo espigou – Um ramo de espigas, papoilas, malmequeres, oliveira, alecrim e videira. No Dia da Espiga, a tradição ainda é o que era. Mas será que a conhece mesmo? Blog MY PLANET, by The Navigator Company [em linha a 25-05-2022, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://myplanet.pt/dia-da-espiga/
VIEIRA, Alice e MATEUS, Nelson – Hoje é Dia da Espiga. Quem é que ainda se lembra dessa tradição? (O Diário de uma Avó e de um Neto, um projeto do site Retratos Contados). Revista VISÃO, Opinião – Ponto de vista [em linha a 13-05-2021, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://visao.pt/opiniao/ponto-de-vista/diario-de-uma-avo-e-de-um-neto/2021-05-13-hoje-e-dia-da-espiga-quem-e-que-ainda-se-lembra-dessa-tradicao/
Documentos audiovisuais (Vídeo)
Dia da Espiga – Uma tradição com especial ênfase no Concelho. Sítio da Câmara Municipal da Vila do Cadaval. [em linha, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Jg-BGs43JFY
Quem sabe o que é o Dia da Espiga? RTPensina [em linha, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://ensina.rtp.pt/artigo/quem-sabe-o-que-e-o-dia-da-espiga/ Ramo da Espiga. Sítio de LUZAZUL – banda de música popular portuguesa. [vídeo oficial em linha, consult. 10-05-2026]. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=Ftx2hgw_yiI&list=RDFtx2hgw_yiI&start_radio=1
1. «O número quarenta expressa, na Bíblia, um símbolo de perfeição». Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 5.
2. «No convento de S. Jerónimo, de freiras, em Viana do Alentejo, na quinta-feira da Ascensão, do meio-dia para a uma (chamado a Hora), quando se canta no coro, deitam-se para a igreja passarinhos (quase sempre andorinhas), com fitinhas encarnadas ao pescoço, e também rosas». Etnografia Portuguesa, 1982: 314.
3. «Em Gáfete e em Nisa, vão ao campo, na véspera, buscar espadanas e alecrim, e põem-nos em casa. No dia próprio, levam tudo isto à igreja, à missa, e na festa da Hora […]». Etnografia Portuguesa, 1982: 313-314.
4. Há casos em que existe preponderância de plantas medicinais. «Em Faro, antes do nascer do Sol de quinta-feira da Ascensão, vão aos campos apanhar certas folhas e ervas […]». Etnografia Portuguesa, 1982: 314.
5. «O molho ou ramo tem de ser amarrado. Deve sê-lo com as pontas, ou melhor, com os caules das ervas [ou das espigas] […]». Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 26.
6. «A espiga de trigo representa o pão-nosso de cada dia que o Senhor nos dá […]». Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 19.
7. «O terceiro significado prende-se com sentimentos de natureza afectiva, amorosa, passional […]». Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 24.
8. Uma vez colhida, a papoila demora pouco tempo antes de murchar, simbolizando também o sofrimento de quem se vê privado do seu ambiente natural. Vale recordar: Quem não é para sofrer, não é para amar.
9. Sobre o ramo de oliveira e Noé: «[…] simbolizando um pacto de paz estabelecido entre os Céus e a Terra […]». Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 21-22.
10. «Significa resistência, perseverança, união […]». Adágio:
«Quem pelo alecrim passou e dele não colheu, / ou nunca teve amores ou deles se esqueceu».
Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 25-26.
11. «A ponta da videira […] representa o vinho, o sangue de Cristo […]». Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 23.
12. Referência às plantas medicinais: malva, diabelha, macela, etc. Discussão sobre o número sete como símbolo de perfeição. Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 32-35.
13. Quinta-Feira da Ascensão, Quinta-Feira da Espiga. Festa do Leite, 2010: 5. Referência repetida aos adágios populares.
14. Cancioneiro Alentejano, 1959.
15. Cancioneiro Popular Português, 1983.
16. O Positivismo, 1881. Justificação popular para comer carne na Quinta-feira da Ascensão.
17. Cantos Populares Portuguezes, 1902.
18. Excerto do Diário de Notícias, 6 de Maio de 1875, sobre a colheita de espigas nos arredores de Lisboa. Etnografia Portuguesa, 1982: 292.
19. «Na Columbeira, vão ao campo cortar espigas de trigo […]». Etnografia Portuguesa, 1982: 306.
20. «[…] grande virtude contra a escassez dos cereais, contra as intrigas da vizinhança […]». Etnografia Portuguesa, 1982: 291.
21. Costume do pão guardado de um ano para o outro na Quinta-feira da Espiga. Etnografia Portuguesa, 1982: 313.
22. Crença de que o pão guardado neste dia não cria bolor. Etnografia Portuguesa, 1982: 313.
23. Prece contra trovoadas: «Santa Bárbara se levantou, seus bentos pezinhos lavou […]».
24. Etnografia Portuguesa, 1982: 306.
25. Etnografia Portuguesa, 1982: 306.
26. Etnografia Portuguesa, 1982: 314.
27. Jorge Borges de Macedo, Dos leilões para a história da cultura, 1989, pp. 3-8.
* Conferência proferida no daia 14 de Maio de 2026 na Sociedade Histórica da Independência de Portugal no âmbito das comemorações do dia da Espiga.
** Sócio de mérito da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e membro do Conselho Supremo; Sócio correspondente da Classe de Letras da Academia das Ciências de Lisboa; Académico correspondente da Academia Portuguesa da História; Membro emérito da Classe de História Marítima da Academia de Marinha; Sócio efectivo da Sociedade de Geografia de Lisboa, onde integra a Direcção, é director da Biblioteca e do Boletim; Membro correspondente da Academia Uruguaya de Historia Marítima y Fluvial e do Instituto Balear de la Historia.
